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Resenha: Meia-Noite e Vinte, de Daniel Galera

Anos 90 20 de junho de 2017 Aline T.K.M. Nenhum comentário

Resenha do livro Meia-Noite e Vinte, de Daniel Galera, Companhia das Letras

Sim, sou dessas que curtem uma boa literatura nacional! Entre os autores que mais admiro, com certeza Daniel Galera está ali no topo da lista.

Meia-Noite e Vinte é o sétimo livro do autor do incrível Barba Ensopada de Sangue. Aqui, ele traz a juventude desiludida dos anos 1990 enfrentando as questões da vida adulta, em meio às memórias de um tempo que não volta mais.

Três amigos se reencontram, após anos sem se verem, para o enterro do quarto integrante do grupo que eles um dia foram quando jovens. Entre o luto e os dilemas da vida atual, eles rememoram a juventude, vivida numa época marcada pelo boom da internet e por uma espécie de desesperança – de certa maneira, um presságio de tudo aquilo em que o mundo se tornaria nos anos que se seguiram.

Quote da quinzena #23

Daniel Galera 6 de fevereiro de 2015 Aline T.K.M. 2 comentários


Daniel Galera é um dos escritores de que mais gosto na literatura nacional; sua narrativa é capaz de levar o leitor em viagens labirínticas pelo interior de seus personagens. Jovem e bastante aclamado no Brasil e no exterior, o cara esteve na lista dos 20 melhores jovens escritores brasileiros na Granta, em 2012.

Esses acima foram só alguns dos motivos pelos quais escolhi trazer quotes de Cordilheira aqui hoje. Para quem não sabe, o livro faz parte da coleção Amores Expressos, da Companhia das Letras. Vale a pena conferir!


Quote da quinzena #9

Daniel Galera 20 de junho de 2014 Aline T.K.M. 4 comentários

Tu pode deixar para trás um filho, um irmão, um pai, com certeza uma mulher, há circunstâncias em que tudo isso é justificável, mas não tem o direito de deixar para trás um cachorro depois de cuidar dele por um certo tempo [...] Os cachorros abdicam pra sempre de parte do instinto pra viver com as pessoas e nunca mais podem recuperá-lo por completo. Um cachorro fiel é um animal aleijado. É um pacto que não pode ser desfeito por nós. O cachorro pode desfazê-lo, embora seja raro. Mas o homem não tem esse direito [...]

O repertório de carícias de uma pessoa é uma coisa comovente de se pensar. Por que toca nas outras dessa ou daquela maneira. Vem de tantos lugares.

Eu brinco com minhas amigas que a gente tá vivendo a Era do Tá Foda. É uma sociedade inteira despreparada pro sofrimento ou consciente demais do sofrimento. Quanto mais a gente compreende e trata o sofrimento mais a gente acha que sofre e ao mesmo tempo o sofrimento dos outros começa a parecer frescura.

Barba ensopada de sangue, de Daniel Galera.


Resenha: Cordilheira, de Daniel Galera

Amores Expressos 29 de agosto de 2013 Aline T.K.M. 20 comentários

Resenha: Cordilheira, de Daniel Galera

Recém-saída de um relacionamento amoroso e ainda impactada pelo suicídio de uma amiga, Anita aproveita o lançamento de seu romance na Argentina para passar uma temporada em Buenos Aires. Considerada uma das melhores surpresas da nova literatura brasileira, Anita vive um recomeço: se envolve com um misterioso fã argentino e passa a conviver com seus amigos de hábitos bizarros, fazendo com que comece a deixar o passado para trás e a se tornar algo que ela mesma desconhece.

Cordilheira é um livro sobre gente que escreve, e tem tudo para agradar outro tanto de gente que aprecia uma boa história com personagens beirando o limite da sanidade. Uma história sobre o estar sozinho, sobre encontros e desencontros, perdas e autotransformação.

5 motivos para ler Daniel Galera

5 motivos para ler 11 de abril de 2013 Aline T.K.M. 9 comentários

Daniel Galera nasceu no dia 13 de julho de 1979. Cresceu em Porto Alegre, onde voltou a morar após ter vivido em São Paulo (onde nasceu) e Garopaba. Com romances e contos publicados, o autor também tem um livro de quadrinhos e participou de algumas antologias.

Formado em Publicidade, já escreveu em um fanzine e fundou uma editora independente com dois colegas, a já extinta Livros do Mal, através da qual publicou seus dois primeiros livros.

Ainda no campo da literatura, Daniel Galera também atua como tradutor (especialmente das novas gerações), tendo traduzido autores como David Foster Wallace e Irvine Welsh (ambos com co-tradução de Daniel Pellizzari), além de quadrinhos de Robert Crumb. Em 2005, exerceu o cargo de coordenador do Livro e da Literatura na Secretaria Municipal de Cultura da Prefeitura de Porto Alegre.

Deem só uma olhadinha em cinco dos inúmeros motivos para ler o escritor:

1. O nome de Galera figurou na lista dos 20 melhores jovens escritores brasileiros na revista Granta em 2012, que indicou os escritores que moldarão a literatura brasileira. A revista britânica, que é uma das mais respeitadas mundialmente e a mais célebre no meio literário, publicou o texto intitulado “Apneia” (ou “Apnoea”, em inglês). Nele, um pai anuncia ao filho seu suicídio iminente – trata-se do primeiro capítulo de Barba ensopada de sangue, quarto livro do autor e um dos lançamentos mais esperados de 2012.

A publicação de um capítulo na Granta foi uma das razões – óbvio – da imensa expectativa em torno do lançamento; porém, outro fator relevante foi que antes de sair no Brasil, os direitos de publicação do livro já haviam sido vendidos para cinco países. O livro também recebeu elogios e blurbs assinados por nomes importantes – os escritores Gonçalo M. Tavares e Ricardo Piglia, por exemplo.

Barba ensopada de sangue traz bastante do próprio autor – a ambientação em Garopaba (onde ele viveu por um tempo), a paixão pela natação –, ainda que enredo e personagens sejam em sua maioria fictícios. Segundo Galera, seu maior interesse no livro “era investigar como uma vida prosaica e anônima pode se converter em mito ou lenda numa pequena comunidade”.

2. O escritor foi um dos pioneiros no que diz respeito à literatura na internet. Entre 1997 e 2001, Daniel já usava a rede para publicar textos em portais e fanzines eletrônicos. Foi colunista fixo do e-zine CardosOnline, que também revelou a gaúcha Clarah Averbuck e o amazonense Daniel Pellizzari.

Capa de Cachalot, edição francesa de
Cachalote
3. Daniel Galera é considerado um dos jovens autores brasileiros mais bem posicionados no mercado estrangeiro. Os direitos de sua obra foram vendidos para países como Inglaterra, EUA, França, Portugal, Argentina, Romênia e Holanda. Também seu livro Cachalote, um álbum em quadrinhos com o desenhista Rafael Coutinho, foi para o exterior; com o título de Cachalot, saiu na França pela editora Cambourakis em uma edição que o próprio autor chamou de “belíssima”.

O autor não se destaca apenas como um jovem talento. Sua escrita, dotada de temáticas e estilo próprios, mostra que ele veio para continuar em carreira ainda mais vasta.

4. Em 2008, o livro Cordilheira foi o vencedor na categoria “romance” do Prêmio Literário Machado de Assis da Fundação Biblioteca Nacional, e foi terceiro lugar na mesma categoria do Prêmio Jabuti. Ambientado em Buenos Aires, o livro fez parte do projeto Amores Expressos da Companhia das Letras, em que diversos escritores brasileiros visitaram capitais estrangeiras para escrever títulos de ficção.

5. O incrível Barba ensopada de sangue ganhará adaptação para o cinema, sob a direção de Karim Aïnouz (diretor de O Céu de Suely).

Não será a primeira adaptação de Galera; seu livro Até o dia em que o cão morreu também teve adaptação, chamada Cão Sem Dono, dirigida por Beto Brant e Renato Ciasca, e cujo roteiro contou com a participação do próprio Daniel Galera e do escritor Marçal Aquino (aquele do Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios).

O livro de contos Dentes guardados também foi adaptado, desta vez para o teatro, por Mário Bortolotto em 2002.

PRINCIPAIS OBRAS:
Dentes guardados (2001) - contos
Até o dia em que o cão morreu (2003)
Mãos de cavalo (2006)
Cordilheira (2008)
Cachalote (2010) - quadrinhos
Barba ensopada de sangue (2012)


Resenha: Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera

Companhia das Letras 3 de fevereiro de 2013 Aline T.K.M. 17 comentários

Resenha: Barba Ensopada de Sangue, de Daniel Galera

Há apenas dois lugares possíveis para uma pessoa. A família é um deles. O outro é o mundo inteiro. Às vezes não é fácil saber em qual dos dois estamos.


Após a morte do pai, um treinador/instrutor de natação se muda para Garopaba, cidade pacata no litoral de Santa Catarina, buscando solidão. Também anseia desvendar o mistério da morte do avô, que teria sido assassinado naquela mesma cidade algumas décadas atrás.
Não consegue reter na memória os rostos humanos, inclusive nem o seu próprio, devido a uma rara condição neurológica. Nem por isso deixa de viver uns poucos romances repentinos e fazer amizades duradouras, ainda que sua figura seja encarada com estranheza por muitos dos habitantes locais. Mas, acima de tudo, essa nova etapa de sua vida é marcada por descobertas e, principalmente, por autoconhecimento.

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