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Mães que jamais mereceriam celebrar o Dia das Mães

Flora Rheta Schreiber 10 de maio de 2013 Aline T.K.M. 7 COMENTÁRIOS


Ler livros cujos personagens tenham – ou sejam – o que chamamos de mãezona é, em sua totalidade, uma experiência inspiradora. Mas e quando acontece o oposto?

Não é tão raro nos depararmos com tramas envolvendo mulheres que NÃO merecem o título de mãe, muito embora tenham gerado filhos. Qual o sentimento que essa situação provoca em vocês? Desprezo, raiva, tristeza, piedade, medo? Eu, como leitora, geralmente experimento uma mistureba de todos estes sentimentos básicos, mas nada impede que outros se juntem ao grupo – alguns, inclusive, bastante contraditórios.

Pois eis aqui duas mães literárias que me causam certa repulsa, em grau e por razões bem diferentes...

Charlotte Haze, mãe de Lolita (LOLITA, de Vladimir Nabokov)
Detestável, porém digna de pena. Charlotte tem uma relação bastante tempestuosa com a filha, pontuada por críticas e reclamações. Ou então, mostra indiferença e o desejo de manter Lolita longe de si e de Humbert, que se torna seu marido apenas para ficar próximo de sua filha, por quem nutre obsessão pedófila. Por outro lado, Charlotte é detestada por ambos (isso mesmo, até pela própria filha – mas aí há toda uma questão do tipo “o buraco é mais abaixo”, talvez questões edipianas não resolvidas...), que querem vê-la afastada a todo custo.

Por falar no livro, publiquei o review de Lolita aqui no blog, em 2010.

Aproveitando... A capa ao lado é de uma edição italiana de 1970.
Para quem curte ver capas diferentinhas, olha só esta página com 185 capas para Lolita, de países diversos.

Hattie Dorsett, mãe de Sybil (SYBIL, de Flora Rheta Schreiber)
Sybil sofre horrores por causa da mãe. Esquizofrênica e atroz, Hattie comete abusos contra a filha desde que esta era bem pequena; torturava a menina de modo insano, física e psicologicamente.
Com um pai omisso, a garota sozinha não soube lidar com tudo a que era submetida pela mãe, e acabou por apresentar desde criança o Transtorno Dissociativo de Identidade (ou Transtorno de Múltiplas Personalidades). Sybil se dissocia em 15 personalidades diferentes, além da “original”, sendo duas delas masculinas, fazendo com que viva períodos em total “ausência” de si mesma. Isto ocasiona uma espécie de lapso de memória constante, em que vive com outra personalidade que não a sua. Sua psicanalista, Dra. Wilbur, é quem trata Sybil, fazendo com que supere sua condição.

Não tem review de Sybil aqui no blog; li o livro em 2004 e nem fazia ideia de que um dia eu teria um blog literário...

Assustadoramente, Sybil é baseado em uma história real; foi escrito – de maneira romanceada – por uma jornalista amiga da Dra. Wilbur e da própria Sybil, e publicado em 1973. Contudo (e resumindo os fatos), alguns profissionais alegam que o livro se trata de uma farsa combinada entre as três – autora, psicanalista e paciente. Sybil não teria tido múltiplas personalidades (apesar de ter tido alguma desordem psicológica) e muitas das torturas inflingidas pela mãe teriam sido descritas de forma exagerada, com o intuito de provocar e chocar.
Real ou não, o livro realmente choca, e apresenta uma mãe que ninguém desejaria ter – nem sequer no pior pesadelo.


Não consegui pensar em mais nenhuma outra mãe odiosa, apesar de que Charlotte e Hattie já são mais que suficientes! Vocês se lembram de alguma mãe literária tão detestável que nunca seria digna de ter um Dia das Mães?

Escrevi o post que vocês acabaram de ler inspirada neste aqui; até tomei liberdade de usar a mesma imagem, espero que me perdoem! =P

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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7 COMENTÁRIOS

  1. Oi Aline!

    Eu não conheço nenhum dessas personagens, já vi várias capas de Lolita, tenho vontade de ler, pelo menos já sei que a mãe dela é difícil rs..

    Bom FDS!

    ResponderExcluir
  2. Oi Aline, tudo bom?
    Que post diferente, porém muito bom!
    Um conteúde muito interesante. Não li nenhum dos dois livros, mas pretendo ler Lolita ainda esse ano,
    Tem promoção e post novo no blog
    http://goo.gl/3xHP0
    Beijão

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    Respostas
    1. Oi Sarah! Leia sim Lolita, é uma obra e tanto! Polêmica e, por isso mesmo, sensacional.

      Excluir
  3. Ah, eu já li várias mães detestáveis, mas no momento nenhuma me vem à mente. Não li Sybil, mas concordo que Charlotte não merece a comemoração.
    Achei o post super criativo!

    Bjs,
    Kel
    www.itcultura.com.br

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  4. Ola!!! :]
    Que idéia bacana do post. Na minha cabeça me vem algumas mães assim......rssrsrsrsrs
    Nunca li nenhum desses livros,mas confesso que fiquei curiosa pelo primeiro!
    Obrigação visitaroblog.será sempre bem vinda ;}

    Abraços,
    Milena - http://divertletras.blogspot.com

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  5. Sem dúvidas a mãe de Lolita não merece MESMO. A mãe maluquete do livro Segredos Revelados também não. Aquela sim poderia passar fácil na faca amiga de Michael Myers

    beijinhos no coração.
    www.intheskyblog.blogspot.com.br

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Ai, não li Segredos Revelados, mas pelo que você diz, imagino que a mãe deve ser uma figura difícil hahaha. A mãe da Lolita é um assunto à parte, ainda acho que muito do que Lolita é vem diretamente de sua mãe. Um beijão, florzinha!

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