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SoSeLit #5: Hello, ninguém pediu a sua opinião!

Blá 28 de maio de 2018 Aline T.K.M. 11 comentários

SoSeLit #5: Hello, ninguém pediu a sua opinião! | Livros e literatura

Vocês concordam com essa história de classificar os leitores? Por exemplo, quem curte mais best-sellers e romances de amor não estariam aptos ou não seriam passíveis de curtir livros considerados “mais difíceis”? E o que vocês dizem sobre a tal “literatura de verdade”?!

Talvez essas perguntas iniciais evoquem em nossas cabecinhas a gafe recente da TAG Livros que, ao tentar definir o público para as suas duas opções de assinatura, acabou soltando uma comunicação um tanto antiquada e que coloca o leitor numa casinha superlimitada. Apesar de eu, como leitora, não ter me sentido ofendida, o negócio foi chato e inadequado.

Mas será que lá nas profundezas do nosso íntimo mais intimista (rsrs), a gente não faz exatamente isso, julga e classifica as pessoas de acordo com o que elas leem? Rá! Aposto que todo mundo – todo mundo mesmo – já se pegou um dia julgando leitores e livros de um jeito bem preconceituoso, mesmo que conscientemente a gente saiba que isso não tem nada a ver.

Simplesmente tendemos a olhar com olhos ferinos aquilo que não curtimos. Ser imparcial o tempo todo dá um certo trabalho, verdade seja dita. Só que não sê-lo nunca dá margem para tanto mimimi literário! Sério, eu não tenho a menor paciência para alimentar discussões desse tipo quando me deparo com uma. Fico mais na vibe do “podem dizer o que quiserem”.

Por outro lado, tenho certo ranço por gente com mania de rotular e classificar tudo. Isso é tão limitante! E aqueles que teimam em dar opinião afiada sobre a leitura alheia sem ninguém – atenção, NINGUÉM – pedir? O fato de eu amar ler os livros do José Saramago não faz com que, automaticamente, eu deteste best-sellers, thrillers, YA ou livros de fantasia e sci-fi. E eu realmente não tenho interesse em saber como você detesta ou acha ridículos os livros da Larissa Manoela na minha estante.

E ainda, quem disse que livros mais comerciais não são literatura? Que gostar desse tipo de livro te faz um leitor menor?

Vou cutucar um pouco mais: o que vocês me dizem dos livros de youtubers? Ahhh, já ouvi muita galera metendo o pau. A questão é, se você não ama, respeita. Tem gente que curte, que lê e, sinceramente, não vejo problema nisso. Tem gente que só lê livro de youtuber, ou que começou a ler por causa de um livro de youtuber; nenhum problema também. Tem gente que lê livro de youtuber e que também gosta de ler clássicos – esse leitor ama menos ou tem menos moral para falar dos clássicos só porque também lê algo comercial?

E outra, gosto muda ao longo do tempo. Os interesses literários de uma pessoa também mudam. É supernatural ler livros de um gênero e temática que te interessam em uma fase da vida e, mais adiante, optar por outros tipos de livros. Isso não significa que um tipo, gênero ou temática é inferior e deve ser desmerecido.

Tem também aquela galera que se diz purista e intelectual, mas que só gosta é de mostrar que tem opinião formada sobre absolutamente tudo e não hesita em desmerecer – em alto e bom som – tudo que não seja cult, exclusivo ou aclamado pela “crítica especializada”.

Curto um livro mais cabeça, sim, mas nem por isso me dedico a atacar quem detesta esse tipo de leitura. Nem me sinto superior por gostar. Até porque o meu gosto vai muito além disso – aqui nesse coraçãozinho de leitora há um espaço enorme, viu! Sou um bocado eclética – e não só na literatura – e acho isso uma qualidade das maiores.

Por isso digo que vou continuar lendo meu Saramago, minha Cecelia Ahern, meu Philip K. Dick, e por aí vai. Nessas últimas semanas, eu li sabe o quê? Uma biografia do Jamie Dornan – para quem não sabe, o Christian Grey dos filmes da trilogia Cinquenta Tons de Cinza. Só tenho a dizer o seguinte: me julguem, tô nem aí.

Já deu de preconceito, comentários infundados, olhar torto e afins. E nem venha tentar classificar ou ilegitimar meu gosto literário porque, sinto muito, não vai estar rolando. A única coisa que vai limitar o que eu coloco na minha estante, sinceramente, é o espaço disponível nas prateleiras.


O QUE É SOSELIT?
A Sociedade Secreta Literária é um projeto para compartilhar experiências e discutir assuntos que tenham relação com a blogosfera literária. Todo mês rola blogagem coletiva de um tema diferente!
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Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 8 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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11 comentários

  1. Oie,
    Nossa não sabia que existia uma biografia de Jamie, da até vontade de ler! XD
    Nem lembrava do lance dos youtubers, mas realmente muita gente começou a ler por conta deste tipo de livro então lógico acho muito válido para quem goste.

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    1. Oii! Sim, existe umas duas biografias do Jamie e essa que eu li é bem interessante, viu! =P De youtuber eu só li quase inteiro o livro do Christian Figueiredo e achei engraçado, acho superválido como leitura para quem curte.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Se alguém quiser me classificar através de minhas leituras vai fundir o cérebro, me tornei leitora explorando bibliotecas seguindo o ritmo do meu prazer, sou extremamente narcista nesse ponto. Leio o que me da prazer e isso vai de Nietzsche a Julia Quinn. Talvez por meu fator maluquice, eu não não me permita a ousadia de julgar ninguém, embora me permita construir opiniões sobre as pessoas de acordo com as experiencias de vida e leitura que construo com elas.

    Sobre imparcialidade, não acredito em imparcialidade, todo mundo tem uma base através da qual olha e interpreta o mundo em torno. Eu mesma sou professora de História, isso direciona muito meu olhar para tudo e todos a minha volta tanto no mundo do trabalho quanto no mundo do laser. Poderia citar aqui como coisas que direcionam o olhar classe social, etnia, por exemplo, uma leitora negra ao ler autoras negras falando sobre a experiencia de ser negra sempre vai ter um olhar diferente do meu que tenho muito sangue negro, sou filha de um homem negro, mas não tenho tanta melanina e não tenho o cabelo cacheado ou crespo.

    Sobre livros de yourtubers, sempre penso que todo mundo que queira escrever deve ser livre para faze-lo e quem quiser ler também. É muito ousadia tentar dizer o que as pessoas devem fazer com seu tempo e dinheiro. Acho também que o povo confunde muito liberdade de expressão com liberdade de opressão, alguns confundem por não para e pensar outros com má intensão mesmo e muita gente gosta de se afirmar desqualificando o outro. Não preciso desqualificar o gosto dos meus pares para qualificar o meu. Acho ridículo pessoas adultas, com maturidade como leitores que param para criticar o gosto de adolescentes que estão descobrindo agora o prazer de ler. Gente, deixa as crianças descobrirem que livros são mais que lugares para o saber escolar, deixa elas viverem a experiencia delas e crescerem no processo... Eu ein?!?! Que caretice!!!

    Jaci
    Uma Pandora e Sua Caixa

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    1. Concordo em número e grau com tudo o que você disse. A questão da imparcialidade nunca é genuinamente total, porque nossa bagagem de vida e quem somos define muito da nossa maneira de olhar o mundo, de percebermos e sermos percebidos. Também acho ridículo que pessoas adultas queiram julgar o gosto de crianças e adolescentes. Eu mesma, quando vejo adolescentes conversando, já me sinto um tanto perdida, não conheço mais as coisas que estão em alta entre eles e, por isso mesmo, não sou nem apta a julgar o que eles leem ou deixam de ler. E, última coisa, me identifiquei com você quando disse que lê de tudo, desde que te dê prazer. Sou assim também, e não me preocupo nem um pouco com isso! Sejamos felizes!

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  4. Pois eu adoro biografias de gente que o povo não gosta kkkk, não atoa li a do JD todinha e guardo até hoje kkk mas genteem kk.

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    1. Kkkkk é isso aí, eu li a do Jamie porque fiquei megacuriosa, gostei dele nos filmes de 50 Tons e queria saber mais do carinha. Mas no geral, não costumo ler muito do gênero, tirando as várias bios que tenho e amo da Frida Kahlo hihihi.

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  5. Oie Aline =)

    Eu gosto muito de biografias, pois sempre acabo aprendendo algo inspirador com a pessoa. Recentemente recebi da do Paulo Coelho e estou doida para começar a ler.

    Às vezes tenho a sensação que as pessoas se preocupam mais com a leitura aka vida dos outros do que com as suas.

    O importante é ler o que gosta e se obra de alguma forma passa uma mensagem legal, melhor ainda. Lembro que na minha época de escola muita gente não gostava de ler, por que tentavam enviar goela abaixo na gente livros clássicos que não tínhamos maturidade para ler.

    E talvez justamente por isso muita gente hoje em dia, ainda não gosta de ler =(

    Beijos;***
    Ane Reis | Blog My Dear Library.

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    1. Oie! Tenho essa mesma visão em relação aos livros que nos empurravam na escola. Foram poucos os que li que realmente condiziam com a minha idade e momento de vida. E foi mais antes do ensino médio, porque quando a gente entra no 1º ano só vem mesmo é livro clássico. Eu lembro que me apaixonei por alguns, mas detestei outros tantos e deixei de ler vários também. Beijão!

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  6. Também não me senti nem um pouco incomodada com a comunicação da TAG, só achei um email infeliz. Entendi o que eles queriam passar para os clientes e futuros clientes, mas acabaram que eles se deram um tiro no pé porque as pessoas transformaram o erro deles na coisa mais absurda do mundo. Enfim haha. Pra mim é óbvio que da parte deles não existe esse preconceito que as pessoas gritaram internet a fora, pq se existisse, eles não estariam preocupados em criar uma outra assinatura voltada mais para livros best-sellers. Mas aqui no Brasil, por causa da ABL e de alguns blogueiros/youtubers famosos que empinam o nariz na hora de falar e julgar as leituras dos outros, acho que foi até uma reação esperada.

    Um Metro e Meio de Livros

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    1. Pois é, quando a gente vê um negócio como o da TAG, já pensa logo no mimimi que vai gerar. Como eu disse, acho natural tentar definir os públicos-alvo, só que eles foram meio infelizes ao fazer isso e, ainda mais, considerando que estão mexendo com um público que às vezes tem um certo melindre. Mas é isso, acho que todo mundo tem mais é que se sentir bem com o que gosta de ler!

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