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Aconteceu Naquele Verão: meus contos preferidos do livro!

Contos 7 de fevereiro de 2017 Aline T.K.M. Nenhum comentário

Meus contos preferidos do livro Aconteceu Naquele Verão, de organização de Stephanie Perkins, Editora Intrínseca

Li esses dias Aconteceu Naquele Verão, uma antologia com doze histórias de amor, organizada pela autora – querida! – Stephanie Perkins. Mas isso você já deve saber, afinal de contas a resenha do livro foi ao ar ontem mesmo aqui no blog. Não conferiu?! Corre lá agora! E depois volta aqui para ler este post!

Minha paixão por esse livro foi tamanha que voltei hoje para falar especialmente sobre os contos de que mais gostei!

Aconteceu Naquele Verão é aquele livro que dá friozinho na barriga, que faz a gente suspirar, ter vontade de chorar e de sorrir (às vezes, ao mesmo tempo!), e que faz a gente se inspirar e olhar as pequenas coisas da vida de um jeitinho diferente.

Gostei de cada uma das histórias, dos personagens, das narrativas... mas confesso que duas delas fizeram meu coração bater mais forte. A ideia era escolher um único conto preferido, mas não consegui – já disse que sou superindecisa e, portanto, péssima para fazer escolhas?! Pois é.

Um dos meus contos preferidos foi “Inércia”, escrito por Veronica Roth. Nele, Claire recebe a notícia de que Matt, seu ex-melhor amigo, está prestes a morrer e que ele pede para que ela compareça em sua Última Visita.

Inércia - Veronica Roth | Meus contos preferidos do livro Aconteceu Naquele Verão, de organização de Stephanie Perkins, Editora Intrínseca

A Última Visita é tipo um procedimento que conecta os últimos visitantes à consciência do moribundo, para compartilharem lembranças e reviverem momentos especiais juntos. Os dois conectados sabem que estão dentro da lembrança e podem, inclusive, falar e interagir de maneira diferente do que aconteceu. E aí, Matt aproveita a Última Visita para dizer tudo aquilo que nunca tinha dito a Claire.

Cara, este conto me encantou por um simples motivo: Claire precisava muito mais dessa Última Visita do que Matt, e ele sabia disso. Por uma série de razões, a garota sofre e carrega consigo o fardo de uma depressão não tratada, mas a dor também é combustível para a sua enorme sensibilidade artística – por isso o receio de Claire de tomar os comprimidinhos que a ajudariam a atravessar essa condição, já que ela temia deixar de ser ela mesma, ficar “anestesiada”.

Eu sempre preferi assistir a participar de audácias desse tipo. Gostava de transformá-las em mitos, em lendas. Eu observava a vida para encontrar a história dentro dela – isso me ajudava a ver sentido nas coisas. Mas às vezes ficava cansada do meu próprio cérebro, sempre inquieto.


Eu, pessoalmente, me identifiquei muito com o jeito de Claire. Ela tem esse negócio de evitar sentir coisas muito fortes, de preferir se blindar e “não sentir nada”, em vez de se machucar ou de revelar sua fragilidade ao mundo. Só que a gente sabe que isso não funciona, né, pois os sentimentos que não extravasam acabam explodindo dentro da gente, ocasionando ainda mais dor.

Enfim, Claire aprende muito nessa Última Visita a Matt. Além do conto inteiro ser emocionante, o desfecho é a coisa mais linda. Amor demais.

O outro conto que também foi meu preferido é “O Fim do Amor”, de Nina Lacour. Aqui, Flora se inscreve para cursar geometria durante o verão – detalhe: um curso que ela já fez. Tudo porque não quer passar muito tempo em casa neste momento em que seus pais estão se divorciando.

O Fim do Amor - Nina Lacour | Meus contos preferidos do livro Aconteceu Naquele Verão, de organização de Stephanie Perkins, Editora Intrínseca

Ainda que o divórcio esteja rolando na paz, Flora sofre pela mudança de residência, por sair da casa em que havia crescido e passado toda a sua vida, por ver seus pais se desfazendo tão facilmente de objetos que sempre haviam feito parte da vida em família.

No curso de verão Flora reencontra Mimi, uma garota que conhecera e por quem se sentira atraída na época em que namorava o Blake. Depois de mais uma decepção familiar para Flora, elas se encontram em um acampamento, e acabam por fim se envolvendo.

Aconteciam coisas demais quando nossos olhos se encontravam. Fiquei encarando o meu All Star e uma embalagem de chiclete. Fiquei encarando os Vans dela e uma flor amarela que crescia no concreto. A guitarra soava como se estivesse sendo tocada debaixo d’água. A letra era confusa e contraditória, muito parecida com a experiência de estar ali, envolvida pelo braço do seu namorado enquanto compartilhava fones de ouvido com a menina que você queria estar beijando.


Simplesmente me apaixonei por este conto porque ele tem um clima gostoso, as personagens se sentem à vontade com suas escolhas e o romance acontece de um jeito muito bonitinho entre elas. AND quando elas se conheceram, Mimi apresentou “Come as you are” para Flora, e as duas compartilharam um momento único ouvindo Kurt Cobain cantando para elas no fone de ouvido. AND Mimi mostra para Flora que no fim do amor sempre existe o começo de outro.

Estes foram os meus contos preferidos de Aconteceu Naquele Verão. Agora, se eu fosse escolher uma história do livro que eu gostaria de viver neste verão, não seria nenhuma dessas duas, mas sim “O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas”, de Lev Grossman.

O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas - Lev Grossman | Meus contos preferidos do livro Aconteceu Naquele Verão, de organização de Stephanie Perkins, Editora Intrínseca

É que a história traz dois personagens que se conhecem em circunstâncias muito peculiares. Eles se dão conta de que estão vivendo num loop temporal. De repente, o dia 4 de agosto passa a se repetir, dia após dia, infinitamente. Tudo acontece da mesma forma, as pessoas fazem as mesmas coisas, todo dia é 4 de agosto. Menos para Mark e Margaret – eles estão presos nesse loop, mas é como se o enxergassem de fora e vão fazendo coisas diferentes e aleatórias enquanto o mundo vive o dia 4 de agosto todo dia.

Depois que se conhecem, eles descobrem pequenos acontecimentos especiais em diferentes momentos do dia 4 de agosto na cidade onde vivem, e passam a mapeá-los. Um garoto gordinho que acerta a manobra no skate exatamente às 11:37:12”, um falcão que dá um rasante na água de um pesqueiro e alça voo levando um peixe em suas garras às 16:32:30”, e por aí vai.

Pensei no que é o tempo, em como estamos sendo quebrados a cada segundo, perdendo momentos o tempo inteiro, como um bichinho de pelúcia que perde seu estofamento, até o dia em que ele se vai por inteiro e nós perdemos tudo. Para sempre. E, ao mesmo tempo, estamos ganhando segundos, um momento após o outro. Cada um deles é uma dádiva, até que no fim de nossas vidas estamos sentados em um tesouro de momentos. Uma riqueza além da imaginação. O tempo era as duas coisas de uma vez só.


Este conto tem uma essência triste, mas o que faz dele a história que eu gostaria de viver é justamente a parte do loop temporal. Imagina poder reviver o mesmo dia infinitas vezes! Isso significa tempo para ler todos os livros e ver todos os filmes que a gente quer na vida. Tempo para fazer tudo e também para não fazer nada. Sem falar que o tempo não passa de verdade, ou seja, a gente não envelhece.

Claro que eu apenas gostaria de viver esse conto estando na pele do Mark, e que esse loop terminasse e tudo voltasse ao normal depois de um tempo. Afinal, passar a eternidade vivendo o mesmo dia não seria nada legal, né? Não dá para fazer uma viagem muito longa, por exemplo, já que todo dia a gente automaticamente acorda no mesmo lugar em que acordou no “primeiro” 4 de agosto.

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E você, já leu Aconteceu Naquele Verão? Quais contos foram os seus favoritos? E qual história gostaria de viver neste verão?

Ah, passa aqui para assistir à resenha em vídeo e saber um pouquinho sobre cada um dos contos do livro!

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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