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3 motivos para ver “Ato, Atalho e Vento”

3 motivos para ver 1 de agosto de 2015 Aline T.K.M. 2 COMENTÁRIOS


“As coisas não saíram como havíamos planejado.” Na sinopse, no trailer e no cerne de uma obra peculiar como Ato, Atalho e Vento, a frase parece de certa forma orientar-nos durante a trajetória de 75 minutos que temos diante dos olhos.

Composto apenas e completamente por trechos de filmes de grandes cineastas, Ato, Atalho e Vento é o novo trabalho de Marcelo Masagão (que dirigiu Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos). Filme de montagem, aqui a vida contemporânea é trazida através de conjuntos de imagens associados a uma trilha sonora que considero essencial, sob a direção de Eduardo Queiroz. A inspiração de tudo isso? O livro O Mal-estar na Civilização, de Sigmund Freud, e os 143 filmes cujos trechos foram utilizados, além do documentário experimental Baraka, de Ron Fricke (1992).

Como um mosaico ou um gigantesco painel repleto de colagens, Ato, Atalho e Vento tem genialidade e conquista quem assiste. Fui conferir o longa sem saber muito bem o que esperar e saí gostando muito do que havia acabado de assistir. É difícil de explicar e difícil mesmo de enquadrar o filme num gênero; é um daqueles casos em que é preciso ver com os próprios olhos para compreender.

Bem, deixo-os finalmente com 3 motivos para assistir a Ato, Atalho e Vento. No fim, vejam o trailer – vale a pena e penso que vocês ficarão, senão inspirados, no mínimo curiosos para conferir o filme no cinema.



1. Um presentinho aos cinéfilos de plantão. 143 clássicos do cinema, de épocas e lugares variados. De fragmentos de Os Incompreendidos do Truffaut, até Viagem à Lua do pioneiro Georges Méliès, passando por Godard, Leconte, Fellini, Ingmar Bergman, entre outros. Foram usados na montagem 4.891 cortes, e nos são apresentados mais de 2.223 atores e 5.041 locações em 722 cidades. E nada foi filmado, “apenas” colado.

2. Ato, Atalho e Vento esteve na programação da 9ª edição do Festival Internacional de Cinema de Roma e foi selecionado para o IDFA – Festival Internacional de Documentários de Amsterdã, ambos em 2014. Além disso, no último 29 de julho o filme abriu o 10º Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo.

3. À medida que as colagens se sobrepõem a magia acontece, transformando e ressignificando as já conhecidas cenas de outrora. Difícil é ficar impassível ao bombardeio de imagens e ao enlevo causado pela trilha sonora instrumental; verdadeira experiência sensorial, o filme toca de maneira inexplicável – e por que caçar explicações racionais quando o que se sente já basta? Um quê de nostalgia, um algo que já não existe mais, que nunca voltará. O efêmero e o eterno se tocam por um instante e é só.

TRAILER E SINOPSE

SINOPSE 01: As coisas não saíram como havíamos planejado.
SINOPSE 02: Planos: Pedaços de tempo e espaço se relacionando de forma afetuosa e bélica, criando, alargando e desfazendo sentidos. É um filme entre-planos. Ou, um filme junta-planos.
SINOPSE 03: É um filme de montagem fruto do encontro de um livro e 143 filmes produzidos nos 4 cantos do planeta. O livro é “O Mal-estar na Civilização”, escrito pelo fofo do Freud.
Ato, Atalho e Vento, de Marcelo Masagão, Brasil, 2015.


Para quem se interessou e quer saber um pouquinho mais, recomendo conferir essa entrevista com Marcelo Masagão no Estadão.

E nesta segunda-feira (3 de agosto) às 20h, na Reserva Cultural, haverá uma sessão especial gratuita seguida de debate com o crítico e multiartista Jean-Claude Bernardet, a poeta e psicanalista Maria Rita Kelh, e mediado pelo documentarista Marcelo Machado e com a presença do diretor.

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Fiquei curiosa e acho que vou ver o filme, vejo bastante filmes mas tenho um certo preconceito com brasileiro pois acho que eles não conseguem desenvolver o filme e quase sempre fica sem nexo.
    Beijos,
    Lendo no Inverno

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    Respostas
    1. Sabe que eu gosto bastante do cinema nacional, mas não desse cinema mais divulgado por aí, mais comercial, que parece com novela da Globo. Gosto dos filmes independentes, menos conhecidos no circuito comercial, e eles em geral trazem tramas muito boas, atores excelentes e bastante material para refletir.
      No caso deste filme, como é um filme de montagem, é algo bem peculiar. Não tem uma história, algo linear e convencional; todo ele são colagens e o que importa é o misto de sensações que ele provoca, sabe, a experiência mesmo de ver o filme. Um beijão!

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