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Filme ‘O Dia Depois’: visualmente interessante, mas falta empatia

Cinema asiático 12 de abril de 2018 Aline T.K.M. Nenhum comentário

Filme O Dia Depois: visualmente interessante, mas falta empatia | Cinema

Conheço pouco do cinema asiático. Salvo alguns filmes (lindíssimos) do Koreeda, a adaptação de Norwegian Wood, Wong Kar-Wai, e um curta aqui e ali, não me recordo de ter tido outros contatos com filmes vindos lá do outro lado do globo.

Dado o contexto, e movida pela curiosidade e instigada pela sinopse, fui conferir O Dia Depois, novo filme do sul-coreano Hong Sangsoo que chega hoje aos cinemas.

Filme O Dia Depois: visualmente interessante, mas falta empatia | Cinema

Começamos acompanhando um diálogo entre Bongwan (Kwon Haehyo), um homem de meia idade dono de uma pequena editora, e sua esposa. Desconfiada de que ele a esteja traindo, ela tenta arrancar a verdade dele durante o café da manhã, ao que ele responde apenas com risos e evasivas.

Areum (Kim Minhee) vai para o seu primeiro dia de trabalho na editora de Bongwan e nem imagina que terá de lidar com a complicada situação amorosa dele. A esposa do chefe, após encontrar um bilhete de amor, vai à editora tirar satisfações e acaba envolvendo Areum na história ao confundi-la com a amante do marido, que trabalhava ali anteriormente.

É durante este longo primeiro dia de trabalho que a maior parte do filme se desenrola.

Filme O Dia Depois: visualmente interessante, mas falta empatia | Cinema

Confesso que tive uma relação de amor e ódio com o longa. A parte que se refere ao “amor” está relacionada especialmente à estética, simples mas plástica, e repleta de elementos que revelam um pouco mais sobre cada personagem.

Claro que o fato de o filme ser inteiramente em preto e branco contribui para essa plasticidade, mas não só. Também é bastante atraente a relação estabelecida entre câmera e personagens. A maneira como, durante um diálogo, a câmera “decide” se aproximar não daquele que fala, mas do ouvinte. E nós, espectadores, contemplamos como esse personagem ouve e recebe o que está sendo dito, como se isso – o ato de ouvir/receber – fosse mais importante do que as palavras que estão sendo ditas de fato. E talvez seja mesmo.

Filme O Dia Depois: visualmente interessante, mas falta empatia | Cinema

A não linearidade – e a ausência de diferenciação entre o que é passado e presente – pode ser alvo de duras críticas, e é verdade que alguns momentos são mesmo confusos até que nos situemos no tempo. Ainda assim, este não foi para mim um aspecto incômodo nem o vi como sendo de todo negativo.

Agora, o que foi mesmo negativo – a parte do “ódio” na minha experiência com o filme – é a pouca ou nenhuma empatia transmitida pelos personagens. Pessoalmente, não consegui me conectar com nenhum deles, menos ainda com o protagonista.

Não compartilhei e não consegui mergulhar no sofrimento de Bongwan. Por vezes, meu sentimento foi hostil diante da percepção de que ele próprio alimentava seus problemas com as mulheres na trama – e suas motivações não me foram acessíveis. Tudo para culminar no ápice do conformismo e da covardia.

Filme O Dia Depois: visualmente interessante, mas falta empatia | Cinema

Minha pouca familiaridade com a cultura oriental me levou à necessidade de saber mais sobre a situação dos casamentos na Coreia do Sul. Entender que até poucos anos atrás o país criminalizava o adultério e que o divórcio, apesar de ter aumentado nos últimos tempos, continua sendo um tabu social me possibilitou um olhar mais apurado para o filme, cujo conflito pareceu ter um quê esquisito num primeiro momento.

Claro que entender um pouco melhor o contexto sociocultural é essencial, mas ainda persiste a questão da falta de conexão entre protagonista – e personagens, de maneira geral – e espectador. Então, no fim das contas, o filme não cresceu muito mais na minha ótica.

Filme O Dia Depois: visualmente interessante, mas falta empatia | Cinema

Para não ser injusta, além do aspecto visual alguns momentos dão brilho ao longa. É o caso das conversas entre Bowang e Areum, a garota que acabou de ser contratada, que acabam tomando um rumo reflexivo e até meio filosófico. O tom de desilusão, o fato de ser centrado em situações cotidianas e de todos os personagens serem um tanto solitários também são um atrativo – e me agradam, particularmente.

Longe de ser marcante, O Dia Depois tem os seus pontos interessantes. Vale a pena ser visto? Até vale – mas nada de expectativas superalimentadas.

TRAILER E FICHA TÉCNICA




O Dia Depois (Geu-hu | The Day After) – 92 min.
Coreia do Sul – 2017
Direção: Hong Sangsoo
Roteiro: Hong Sangsoo
Elenco: Kwon Haehyo, Kim Minhee, Cho Yunhee, Kim Saebyuk

Estreia: 12 de abril

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 8 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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