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Resenha: Em Águas Sombrias, de Paula Hawkins

Literatura britânica 2 de agosto de 2017 Aline T.K.M. Nenhum comentário

Resenha de Em Águas Sombrias, novo livro de Paula Hawkins, autora de A Garota no Trem

Você lê a sinopse e ela não te prepara para o que está por vir. É isso o que acontece com Em Águas Sombrias, o livro mais recente de Paula Hawkins, autora do famoso A Garota no Trem – que eu não li ainda, mas isso a gente abafa, né!

Centrado nas mulheres, Em Águas Sombrias envereda pelos caminhos obscuros do ser humano e revela até que ponto os segredos dolorosos, as mentiras, os ressentimentos e a opressão são capazes de manipular e definir o destino das pessoas.

Logo no início, Jules retorna a Beckford, cidadezinha de sua infância e um local para onde jamais pensaria em voltar, por causa da morte de sua irmã mais velha. Nel – ou Danielle Abbott – se suicidou no Poço dos Afogamentos, que é como é chamado um trecho do rio que corta a cidade.

Jules precisa encarar a dor da morte da irmã e também precisa cuidar da sobrinha adolescente, Lena, filha de Nel e que parece não gostar muito da tia. Além disso, há o fato de Nel ter ligado para Jules repetidas vezes pouco antes de sua morte... e Jules ter se recusado a atendê-la.

Não demora para que Jules perceba que a irmã não era tão querida na cidade, especialmente porque vinha se dedicando a uma insistente pesquisa sobre as mulheres mortas no Poço dos Afogamentos ao longo do tempo. E, além disso, Jules começa a se dar conta de que todos ali parecem esconder segredos importantes. Ela própria guarda os seus e, de volta a Beckford, também remexe em seu passado e nas lembranças dolorosas da juventude ao lado de uma irmã que muitas vezes colaborou com seu sofrimento.

Resenha de Em Águas Sombrias, novo livro de Paula Hawkins, autora de A Garota no Trem

Em Águas Sombrias traz aquele tipo de história que conecta diversos personagens e suas vidas a um ponto em comum – neste caso, o Poço dos Afogamentos. Antes de Nel, outras mulheres tiveram suas vidas encerradas naquelas águas pelos motivos mais variados, mas sempre ligados a algum tipo de opressão e ao medo. E Nel? Teria ela colocado mesmo um ponto final em sua vida atirando-se no Poço dos Afogamentos – local que a fascinava e que era objeto de suas investigações –, conforme aponta o parecer geral?

Vou contar para vocês que comecei esta leitura totalmente no escuro, sem ter ideia do que esperar – como eu disse lá no início, a sinopse não me deu muitas pistas. E sabem qual foi o resultado? Devorei o livro como se não houvesse amanhã, tamanho o meu envolvimento com a trama e com a trajetória – e os segredos – de cada personagem.

Capítulo a capítulo, a história é contada por diferentes vozes, pertencentes aos habitantes de Beckford. A partir dos olhares variados, a gente penetra na intimidade dessas pessoas, conhecendo seus segredos mais perturbadores, atitudes duvidosas e sentimentos sufocados.

Raiva, ciúme, rancor, medo, mentiras e traições permeiam o passado e o presente desses personagens em Beckford. Acompanhar tudo isso nos deixa mais ávidos por desvendar o que teria realmente acontecido com Nel – e também com outras das mulheres mortas naquelas águas nos últimos tempos, cujas histórias nos são apresentadas por meio das pesquisas de Nel.

Uma das personagens de que mais gostei é Lena – mesmo que no início eu não tenha simpatizado muito com ela. Além de ter perdido a mãe, a adolescente de 15 anos também perdeu a melhor amiga há apenas alguns meses – outro suicídio no Poço dos Afogamentos. Com uma tia que acabou de conhecer, Lena precisa enfrentar a dura realidade e vive o luto sem se deixar desabar. Ela é forte, e não demora para que a gente perceba que ela também guarda alguns segredos que jamais devem ser revelados.

Resenha de Em Águas Sombrias, novo livro de Paula Hawkins, autora de A Garota no Trem

Tudo e todos parecem ter sua parcela de culpa na morte de todas aquelas mulheres de Beckford. E aí entra um ponto interessante: o livro aborda a violência contra a mulher, o acuamento e a opressão, o machismo que ainda segue entranhado nas pessoas, e também a misoginia. E, na pequena Beckford, onde todo mundo se conhece e se julga, isso é muito evidente.

Misterioso e instigante, Em Águas Sombrias não se trata apenas de um drama familiar, tampouco da história de uma única mulher. O livro traz os dramas – perturbadores – de uma série de personagens. Ao mesmo tempo, é o grito silencioso das mulheres – consideradas “encrenqueiras” – que pereceram nas águas de um rio.

Um thriller psicológico que vai te deixar suspenso por um fio até o final. E quando você acha que tudo já se resolveu... uma última sacudida fecha a trama de um jeito não menos que surpreendente.

LEIA PORQUE

A trama é intensa, do tipo que revela a escuridão dentro de cada ser humano, e direciona os holofotes às personagens femininas. Personagens que em algum momento foram acuadas, perseguidas, agredidas e tiveram suas vozes abafadas.

DA EXPERIÊNCIA

Minha percepção sobre o livro sofreu várias metamorfoses, desde a leitura da sinopse até a última linha da história. Criei hipóteses que descobri não serem verdadeiras, achei mil coisas sobre esse bendito rio, mudei de opinião em relação a algumas personagens, vibrei com cada reviravolta.

FEZ PENSAR

Preciso ler A Garota no Trem quanto antes! Sério, Paula Hawkins me conquistou e quero descobrir mais da autora.

Outra coisa é que essa questão da violência contra a mulher me lembrou Três Dias em Setembro, da sueca Luna Miller, que narra a trajetória de vários personagens que se encontram em uma cidadezinha sueca pelo período de três dias. Não é um thriller, mas traz personagens femininas que passam por relacionamentos abusivos e também por violência sexual, e a maneira como cada uma lida com essas questões.


Capa de Em Águas Sombrias, novo livro de Paula Hawkins, autora de A Garota no Trem

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Título: Em Águas Sombrias
Título original: Into the Water
Autor(a): Paula Hawkins
Tradução: Claudia Costa Guimarães
Editora: Record
Edição: 2017
Ano da obra: 2017
Páginas: 364

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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