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A Grande Fome [John Fante] #resenha

Clássicos 26 de janeiro de 2016 Aline T.K.M. Nenhum comentário


Considerado por muitos como um precursor da geração beat e admirado por ninguém menos que Charles Bukowski, John Fante retorna postumamente pelas mãos de Stephen Cooper, biógrafo do autor, neste volume de capa lilás e curiosa.

Oficialmente o último livro de John Fante, A Grande Fome traz dezoito contos do autor ítalo-americano escritos entre 1932 e 1959, anteriormente publicados em revistas, alguns inéditos e também fragmentos de romances abandonados.

Arturo Bandini – alter ego de Fante e protagonista de quatro de seus romances, conhecidos como A Saga de Arturo Bandini – tem momentos da infância e da juventude retratados aqui. Nos contos, Fante também coloca a comunidade italiana e as dificuldades enfrentadas nos Estados Unidos da primeira metade do século 20, elementos que são parte do universo do personagem e do próprio autor, descendente de italianos.

John Fante vai direto ao ponto, sem muitas voltas nem rebusques, e passa por temáticas que vão desde a vida em família – desentendimentos e fofocas, pequenos escândalos, transtornos financeiros –, até o ofício de escritor, a juventude e a candidez da infância, passando pelo amor.

Aliás, não só passa, mas se detém no amor por bons momentos. O sentimento aqui é sofrido, impossível e fadado ao fracasso; os amores proibidos são frequentes, e o motivo da impossibilidade reside nas diferenças étnicas ou financeiras. Mas há também o amor platônico, e um amor temperadíssimo de ciúme, bem no estilo tapas e beijos.

E, falando de amor, não tem como não mencionar o "Prólogo para Pergunte ao Pó", presente entre os contos do livro. O amor louco e não correspondido entre Arturo Bandini e Camilla Lopez é contado de forma breve – algo como um resumão do livro Pergunte ao Pó – e ainda intensa. O conto promete fazer pulular a curiosidade de quem ainda não leu o romance mais conhecido de Fante, ou reavivar a memória e fazer quem já leu se apaixonar uma vez mais!

Esses amores e essas famílias não enfrentam obstáculos à toa. São as minorias que John Fante retrata em suas histórias, são suas misérias que ele narra, revelando um outro lado do sonho americano. Seus protagonistas são pobres, inseguros, desajeitados e, geralmente, sem muito traquejo com as mulheres; estas são apresentadas como interesseiras, adúlteras, a ruína dos homens – apesar de não possuírem sua ligeireza e inteligência. Não me atirem pedras: o livro mostra mesmo esse lado sexista e preconceituoso – reflexo da sociedade da época, cujos rastros vemos até hoje.

Apesar de todos os reveses, Fante ainda consegue guardar algo de humor e leveza, tornando A Grande Fome uma leitura profunda sem deixar de ser deliciosa. Mas, além de dizer que se trata de um livro essencial para os fãs e também para os curiosos, faço questão de deixar o meu “muito obrigada” a Stephen Cooper, que foi o responsável por organizar a antologia e trazer ao leitor todas essas pequenas obras-primas de John Fante reunidas num único volume. Well done!

LEIA PORQUE...
Fala de sentimentos, dá voz às minorias, e é uma antologia inédita desse cara que precedeu a geração da contracultura norte-americana. Também recomendaria para quem quer ler John Fante e não sabe por onde começar – se bem que todo mundo (e me incluo aí) acaba começando por Pergunte ao Pó, o que também é uma boa.

DA EXPERIÊNCIA...
John Fante, seu lindo, quero ler todos os seus livros!

FEZ PENSAR EM...
Hemingway, pela prosa direta, sem rodeios. Aliás, lembrei que ambos, Hemingway e Fante, influenciaram a literatura de Bukowski.

QUANTO VALE?

Título: A Grande Fome
Título original: The Big Hunger
Autor(a): John Fante (organização de Stephen Cooper)
Tradução: Roberto Mugiatti
Editora: José Olympio
Edição: 2015
Ano da obra: 2000 (contos escritos entre 1932 e 1959)
Páginas: 288
Onde comprar: Fnac | Livraria Cultura

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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