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Rolou no Teatro – fevereiro, quinzena 1

Rolou no Teatro 26 de fevereiro de 2015 Aline T.K.M. Nenhum comentário

Rolou no Teatro é uma coluna quinzenal em que abordo a evolução das aulas do curso profissionalizante de Teatro que estou fazendo. Entenda melhor aqui.

A primeira quinzena nas aulas de teatro deste ano pode ser resumida basicamente na palavra descoberta. Foi quando entrei em contato e conheci um pouco de cada matéria – exceto Corpo, todas elas são novidade, não as tive no semestre passado.

Duas semanas pode não ser tanto tempo, mas acreditem, muita coisa aconteceu nesses dias! Acompanhem comigo tudo o que rolou em cada aula...

MONTAGEM


O tema da mostra deste semestre é RITUAIS, portanto a peça que montarmos deverá – em algum nível – remeter a ele.

Em grupo, nos foi proposta uma pesquisa a respeito dos rituais: o que são, quais os objetos utilizados (e por quê), os elementos da natureza e sua relação com o ritual (no caso, os 5 elementos orientais: água, terra, madeira, metal e fogo), vídeos de rituais diversos.

Também conversamos a respeito do teatro: o entendimento do público não é o objetivo principal, mas sim provocar algo no espectador, tocá-lo de alguma forma. Existe ainda certa resistência em relação ao fator “entendimento”, pois viemos de um contexto em que nas mídias mais abrangentes (televisão, por exemplo) tudo é muito explicativo, muito mastigado.

Um aspecto interessante das aulas de Montagem é que no início de cada aula fazemos um pequeno ritual: com uma vela acesa, nos concentramos, compartilhamos energia com o grupo e deixamos lá fora o ritmo e os pensamentos do dia a dia. Ao final de cada aula, também realizamos um fechamento, que começa de mãos dadas e compartilhando energia; em seguida, o real fechamento é sempre algo que “surge” de forma espontânea no grupo, proposto por alguém da turma (por exemplo, bater os pés no chão ou correr pela sala).

Exercícios como andar pelo espaço alternando velocidades e paradas também são prática frequente nas aulas, bem como o exercício do bastãojogar o bastão para o colega e ao mesmo tempo receber o bastão que o colega jogou, em duplas, em grupos menores e entre toda a turma. Neles, a harmonia com o grupo e a energia em comum vão se estabelecendo, uma vez que não deve haver comandante em nenhum dos exercícios; os movimentos, pausas, jogadas de bastão acontecem em comum acordo (silencioso) entre o grupo, apenas sentindo. Tais atividades são úteis para colocar o corpo em estado de alerta, presente e ao mesmo tempo preparado para o que virá a seguir.

Realizamos também uma atividade em grupo que consistiu em uma sequência de poses propostas por um integrante do grupo, devendo os demais repeti-la e colocar algum sentimento (posteriormente, recitando um texto qualquer) em cada uma das poses. Outra atividade consistiu na criação de uma cena utilizando dois objetos: uma vela e um pedaço de tule.

A professora nos propôs, então, que pensássemos no superobjetivo da peça a ser montada – ainda não definida. Sobre o quê queremos falar? Quais assuntos e temas gostaríamos de abordar?

Após compartilharmos sugestões de peças a serem montadas no semestre, as opções foram reduzidas a três: Dom Casmurro (no caso, seria uma adaptação da obra de Machado de Assis, criada pelo próprio grupo), O Rinoceronte (peça de Eugène Ionesco, parte do movimento do teatro do absurdo), e Auto da Barca do Inferno (de Gil Vicente).

Dividida em três grupos, a turma criou uma cena relacionada a uma das três peças; desta forma pudemos visualizar melhor a “pegada” de cada uma delas, a temática. (Eu, pessoalmente, me encanto mais com a ideia de montar Dom Casmurro ou O Rinoceronte!)

CORPO
Em uma conversa, compartilhamos o que havíamos feito no semestre passado em Corpo. Vários alunos (minha turma do semestre passado inclusa) mencionaram a leitura do livro O corpo tem suas razões, de Thérèse Bertherat. (Já resenhei esse livro aqui no blog, e foi uma leitura muito, mas muito proveitosa, que eu recomendaria a todo mundo, sem exceção.)

Aqui, rolaram exercícios de conexão com o grupo. Caminhar juntos, em velocidades alternadas, pausas, e também de olhos fechados. Fizemos figuras humanas – triângulo, quadrado, estrela – no chão dentro do tempo proposto (em 4 tempos, 8 tempos,...).

“Despertamos” cada parte do corpo. Deitados no chão, as pernas começam a se movimentar (o restante do corpo permanece “preso” ao chão). Com seus movimentos, as pernas então “convidam” o tronco a também se movimentar. Este aceita e, por sua vez, convida os braços, e assim sucessivamente.

Um exercício interessante, engraçado e com capacidade de entrosamento consistiu na turma toda de mãos dadas aleatoriamente tendo que desatar o grande nó de mãos, mas sem soltá-las, para ficarmos todos em círculo. Repetimos umas três vezes e nenhuma delas deu 100% certo, pois um pequeno nó sempre se mostrava impossível de ser desatado; mas no geral, o resultado foi positivo.

Em outro momento, trabalhamos a instalação corporal, conferindo consciência corporal e transformando o corpo comum do dia a dia num corpo diferenciado. Para isso, trabalhamos com imagens mentais que nos foram propostas e tentamos colocá-las no corpo a partir de movimentos livres. Imaginar os pés como raízes, ou então “pintar” todo o espaço com os braços.

HISTÓRIA DO TEATRO
A história do teatro, na prática, encontra aplicação no repertório pessoal (“bagagem”), na consciência, na criação, nas escolhas – o ofício do ator, aliás, está sempre ligado a escolhas.

Neste semestre trabalharemos a encenação, o papel do encenador, referências de encenadores. Conhecemos, então, os temas a serem estudados:
  • A revolução teatral – As vanguardas europeias – O teatro entre guerras
  • O teatro dialético – O teatro político
  • Encenadores: Bob Wilson, Peter Brook, Meyerhold, Artaud, Tadeusz Kantor, Grotowski, Kusnet.
Bibliografia sugerida: A Linguagem da Encenação Teatral, de Jean-Jacques Roubine.

VOZ
Além de compartilharmos nossos rituais particulares – lembrando que o tema da mostra é Rituais –, trabalhamos a respiração (apenas “em cima”, no alto dos pulmões; jogando o ar na lateral, nas costelas; e no diafragma, em que a impressão que se tem é a de que a respiração acontece no abdome).

MAQUIAGEM CÊNICA / CARACTERIZAÇÃO


Vimos um apanhado geral de tudo o que trabalharemos ao longo do semestre. As aulas compreenderão: diferenças entre maquiagem social, artística e cênica; os diferentes produtos, suas funções e como usá-los; caracterizações (palhaço, velho, etc); cuidados com a pele; luz e sombra, princípio básico e essencial na maquiagem (aliás, falei um pouquinho disso naquele vídeo de make básica de todo dia, lembram?!).

E recebemos uma lista de produtos que utilizaremos ao longo do semestre – é nessa hora que o bolso dói, mas felizmente não é preciso comprar tudo de uma só vez. A lista traz desde produtos para a limpeza do rosto (como sabonete líquido e loção adstringente), até látex e cabelos picados, passando por sombras diversas, pancake, pincéis e esponjas, corretivo, pó, maquiagem de palhaço, etc.


*****

Como eu falei, a primeira quinzena foi lotada de descobertas e teve muita coisa interessante.

Observando melhor os exercícios nas aulas e tendo mais consciência de cada um deles, uma coisa ficou muito clara na minha cabeça neste período: como é incrível e muito louco isso de estabelecer uma relação com o grupo, a harmonia, a energia em comum. Todos os exercícios são infinitamente melhor realizados quando o grupo está em sintonia, e essa sintonia é algo que está além da fala ou de sinais óbvios; ela simplesmente acontece conforme o grupo coloca consciência e concentração na atividade.

Em janeiro li A Preparação do Ator, do Stanislavski, e lá ele aborda a questão da comunhão no grupo. Ou seja, neste momento teoria e prática estão mais unidas na minha cabeça e fazem todo o sentido – coisa que no semestre passado eu ainda não enxergava.

É isso! Para os corajosos que leram isso tudo até o final, meu muito obrigada! E aguardem, pois mais coisa boa virá nas próximas quinzenas!

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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