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A gente se acostuma com o fim do mundo [Martin Page]

À la française 27 de junho de 2013 Aline T.K.M. 16 COMENTÁRIOS


Ao ter seu nome lido num retângulo de cartolina em uma premiação, Elias transforma-se de mero produtor cinematográfico em produtor do ano. Ao mesmo tempo, vê sua vida desmoronar com o sumiço de Clarisse, com quem mantinha um relacionamento conturbado havia seis anos, e, em seguida, com o fato de ter sido afastado de uma produção que aconteceria na África. O "tudo" de repente se transforma em "nada".
Elias, então, é incumbido da tarefa de convencer a jovem Margot – que tenta o suicídio cada vez que termina um relacionamento amoroso – a vender os direitos de sua história pessoal para que vire filme. Com isso, ele tem a chance de descobrir que o fim do mundo não significa necessariamente um fim.


Em A gente se acostuma com o fim do mundo, Martin Page nos deleita com mais um de seus protagonistas problemáticos.

Elias é um outsider que se vê embrenhado em uma existência errante. Passa a questionar o que sentiu e viveu com Clarisse (enquanto sofre com sua ausência), e não sabe bem o que busca nem o que está acontecendo com sua vida. Até a percepção de seu ambiente de trabalho é alterada tamanho o deslocamento repentino do personagem; o que antes era um local aconchegante e familiar tornou-se repleto de estranhezas e desconfortos.

Elias tampouco sabe explicar o porquê do medo e da vulnerabilidade que o dominam perante a suicida Margot – outra outsider dona de bloqueios e problemas cabeludos, e que tem uma forte ligação com Paris.

A superficialidade há muito havia tomado conta de inúmeros aspectos da vida do protagonista. Como se estar no raso lhe trouxesse mais segurança, ou menos problemas. Seus dias haviam se convertido em um imenso hábito; conformava-se com banalidades e, igualmente, com as piores tragédias. O sofrimento e a crença de que Clarisse precisasse de seus cuidados (devido aos problemas com o álcool) faziam com que Elias tivesse um conceito distorcido de amor.

Diante da passividade do protagonista, Page não só lhe dá uns tapas nos setores sentimental e profissional de sua vida, como também se vê obrigado a lhe dar uma verdadeira surra no plano físicoé, Elias precisou apanhar feio para começar a tomar novos rumos. O autor também faz questão de mostrar que até nas amizades o – já ferrado – personagem precisa ultrapassar a superficialidade que pontua o convívio social.

A gente se acostuma com o fim do mundo é um pequeno universo de amargura e pessimismo, ainda assim formidável e acrescido do sarcasmo que acompanha as histórias de Martin Page. É um universo de seres desgastados, esfolados por suas existências medíocres. Perdem o rumo quando confrontados com a felicidade, sentimento que embora ainda lhes seja estranho, sempre acaba por bater à porta. Só lhes resta reconhecê-la e deixá-la entrar.

LEIA PORQUE...
A narrativa passeia por um verdadeiro festival de sabores: é deliciosamente ácida, com doses de amargura e temperada com o sal da angústia; ainda assim, tem lá seus momentos de doçura.

DA EXPERIÊNCIA...
Ler Martin Page me obriga a colecionar quotes de forma incansável durante toda a leitura. Os personagens, utilizando-se da voz do narrador, compartilham suas reflexões com quem os lê, o que resulta em tiradas geniais e frases de efeitomesmo que muitas estejam ligeiramente na contramão do que a maioria classificaria como genial.

FEZ PENSAR EM...
Mais importante que saber o que Clarisse (e qualquer outra pessoa) foi, é fundamental reconhecer tudo aquilo que ela não foi.

Título: A gente se acostuma com o fim do mundo
Título original: On s’habitue aux fins du monde
Autor(a): Martin Page
Editora: Rocco
Edição: 2007
Ano da obra: 2005
Páginas: 224

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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16 COMENTÁRIOS

  1. Gamei no livro! Amo escritas ácidas, e com tiradas inteligentes. Além de que o enredo é bem interessante - isso sem falar da capa, que sai do comum e do modismo. Linda linda.
    E que bacana a estrutura da sua resenha! Adorei, adorei tudo!
    Parabéns! Mil beijos. ^^

    http://mon-autre.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada pelos elogios!! ^^
      A capa é linda mesmo. Adorei o fato de ela ser em francês, e os dizeres são demais, irônicos e engraçados (estão em letras muito pequenininhas, mesmo com o livro em mãos tive dificuldade de ler, mas li mesmo assim tamanha a curiosidade).
      E sobre o autor, recomendo! É um dos meus favoritos.

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  2. Livros com nomes grandes sempre me chama a atenção. Esse aí calhou de também gostar da história... mais um que vai pra lista de futuras leituras!

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  3. Mais uma vez por causa do Livro Lab eu necessito desse livro do Martin Page!!

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    1. Então se prepara, Charleneee! Vai ter promoção do livro! =)

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  4. Oi Aline, tudo bem??
    Adorei sua resenha! Não conhecia esse livro e, pela sua experiência, me deu vontade de lê-lo. Tem um toque depressivo irônico, é isso mesmo? Gosto de personagens conturbados. Acho que vou gostar!

    Colocarei na lista de leituras do Skoob, hehe!

    Beijos!

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    1. Oi Jeh, pois é, os livros do Page são sempre meio pessimistas e bem irônicos. Os personagens são sempre fora do comum. Eu adoro e recomendo a quem quer que seja! Bjo!

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  5. Olá! Não conhecia o livro, nem o autor. E, sei lá, não consegui me interessar na história. Parece meio estranho pra mim.
    Parabéns pela resenha.
    Beijo!
    docesabordoslivros.blogspot.com

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  6. Parece que hoje em dia estórias envolvendo a decadência estão cada vez mais notórias - não que isso seja algo ruim. Muito pelo contrário, afinal em uma estória que trata de crises, é sempre interessante ver como o protagonista vai se safar desta ou daquela situação. Me interessei bastante por A gente se acostuma com o fim do mundo, apesar de não conhecer o autor antes de sua resenha. Com certeza vou comprá-lo!

    Beijos!
    Clara
    labsandtags.blogspot.com

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    Respostas
    1. Clara, concordo com o que você disse. Eu geralmente gosto de enredos que envolvam crises, certo pessimismo. E o que mais me atrai nesse caso é que o protagonista é realmente peculiar, isso (e o sarcasmo) dá um tom mais interessante ao todo.
      Se você não conhece o autor, sugiro que leia algo dele o quanto antes. É ótimo!

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  7. Gente, esse livro parece ótimo.
    Não tinha ouvido falar dele.
    Vou colocar na lista.
    beijos,
    Amy - Macchiato

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  8. Oi Aline! Não conhecia o livro nem o autor, mas gostei da premissa, o tempero da narrativa é ótimo, esta mistura de angústia com doçura deve ter um resultado único. Bjos!!
    Cida
    Moonlight Books

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  9. Mas gente! Adoro livros contubardos, personagens problemáticos e tragédias. esse Kit Survive na capa::: +10. Ainda não tive o prazer de conhecer as obras de Martin Page, tu fala tão bem que já fico aqui desejando o livro HAHAHAHA.

    Abs :D

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    Respostas
    1. Amanto, sou suspeita para falar, mas o Martin Page manda muito bem! Ele tem um tom de ironia, mas também é de uma singeleza que é única; gosto muito dele. Ai, essa capa, cara, me apaixonei desde que a vi pela primeira vez. Hilário essas drogas na capa, e as instruções de como usá-las (detalhe: eles mantiveram o textinho em francês, muito charmoso). Bj!!

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  10. Que resenha deliciosa!
    Eu nunca li nada do Martin Page, mas tenho muita curiosidade de ler as obras do autor já há algum tempo.

    Beijos,
    Nanie

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    Respostas
    1. Nanie!!! Eu gosto tanto do autor que faria uma verdadeira campanha do tipo "Leiam Martin Page!" hehehe. Acho que nunca vou cansar de recomendar as obras dele! Bjoka!

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