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Visita à casa de Hemingway

Ernest Hemingway 12 de março de 2013 Aline T.K.M. 10 COMENTÁRIOS


Em visita a Key West, Flórida, conheci um “cantinho” quase mítico. Localizada no número 907 da Whitehead Street está a casa em que viveu Hemingway, hoje denominada The Ernest Hemingway Home & Museum.
A casa de Hemingway é, hoje, um Marco Histórico Nacional (National Historic Landmark – NHL) e encontra-se no Levantamento dos Edifícios Históricos Americanos (Historic American Building Survey – HABS).



Key West é uma cidade situada na ilha de mesmo nome que faz parte das Florida Keys, conjunto de ilhas ao sul da Flórida. Tradicionalmente uma cidade de pescadores, possui fortes raízes cubanas devido à proximidade com o país. Key West fica a 4 horas de Miami, de carro através da estrada US 1. O trajeto é uma road trip inesquecível sobre o mar, que surpreende pelo visual. Com um famoso pôr-do-sol, Key West é uma daquelas cidades simpáticas com casinhas coloridas e inverno ameno.

Ao longo do tempo, Key West abrigou inúmeros escritores e artistas, mas nenhum deles representou presença tão marcante quanto Ernest Hemingway. A casa do escritor é uma das principais atrações turísticas da cidade, assim como o bar Sloppy Joe’s, conhecido por ter tido Hemingway entre seus clientes mais assíduos.


Fachada da casa, em 2006. Foto daqui: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Hemingwayhouse.jpg

A casa, em estilo colonial espanhol, foi construída em 1851 e foi o lar de Hemingway (e de sua segunda esposa, a jornalista Pauline Marie Pfeiffer, e os dois filhos do casal) entre 1931 e 1940. Na época abandonada e em mau estado, foi comprada ao casal pelo tio de Pauline. Hoje bem conservada, a casa ainda abriga a mobília do casal e os lustres de candelabros de Pauline. Alguns dos móveis da sala de estar foram comprados quando Pauline ainda vivia em Paris. Além disso, Hemingway era um ávido colecionador de mobília espanhola dos séculos XVII e XVIII.



A casa em Key West era a residência oficial do casal, ainda que Ernest e Pauline excursionassem constantemente. Europa, África, Havana, Wyoming e Piggott eram destinos frequentes.



Cheia de pequenos detalhes, tanto na arquitetura como na decoração, predomina na casa aquele “ar de antigamente”. Troféus de montaria e peles de animais – lembranças dos safaris africanos e expedições de caça no oeste americano – podem ser vistos em meio à decoração. Andar pelos cômodos e corredores proporciona um verdadeiro vislumbre da vida do escritor na Key West da década de 30. Aliás, foi num estúdio dentro da propriedade que Ernest Hemingway escreveu algumas de suas mais notáveis obras, incluindo os contos The Snows of Kilimanjaro e The Short Happy Life of Francis Macomber.



Hemingway deixou a casa em 1940, após divorciar-se de Pauline, e passou a viver em Cuba com sua terceira esposa, a escritora e jornalista Martha Gellhorn. Casaram-se poucas semanas após o divórcio do escritor com Pauline.



Entre 1940 e 1951, Pauline viveu na casa com os dois filhos do casal, Patrick e Gregory.
Pauline faleceu em 1951.
A casa permaneceu vazia até 1961, ainda que o caseiro continuasse na propriedade. Hemingway não mais voltou a viver na casa, mas continuou visitando Key West até sua morte, em 1961.

Hemingway suicidou-se em 2 de julho de 1961, na cidade de Ketchum, estado de Idaho, no noroeste dos EUA. O escritor sofria de depressão e também vinha enfrentando outros problemas de saúde, quando decidiu optar pelo fim da mesma maneira que o fez seu próprio pai.
Os filhos de Hemingway concordaram, então, em vender a propriedade em Key West.



A casa foi comprada em leilão por Bernice Dixon, proprietária de uma loja de joias em Key West. Ela viveu na casa até 1964. Posteriormente, passou a habitar somente a área onde hoje funciona a livraria do museu, disponibilizando o restante da casa para visitação do público – um verdadeiro memorial dedicado a Ernest Hemingway. Em 1968, a então proprietária passou a viver em outro local e transformou o cômodo que ocupava na casa em uma livraria que existe até os dias de hoje.

Após o falecimento de Bernice no final da década de 80, a casa passou a ser propriedade de sua família, que a manteve funcionando como museu.


A PISCINA DA DISCÓRDIA E O ÚLTIMO CENTAVO

Uma das características mais chamativas da propriedade é a piscina, considerada extravagante e luxuosa para uma residência en Key West nos anos 30.

Apesar dos protestos em relação aos gastos, foi o próprio Hemingway quem planejou a piscina. Mas os detalhes da construção ficaram a cargo de Pauline, devido às frequentes viagens de Hemingway como correspondente de guerra durante a Guerra Civil Espanhola.



É certo que Ernest reclamou bastante por causa dos custos da construção. Aos visitantes do museu é contado que o escritor, exasperado por causa dos gastos exorbitantes com a piscina, teria atirado uma moeda – posteriormente cravada no piso ainda em construção do pátio em frente à piscina –, berrando “Pauline, pegue também o último centavo que me restou!”. Se realmente foi assim, não temos como saber, mas de fato há uma moeda cravada no cimento do pátio perto da piscina, em memória à suposta indignação de Hemingway.

Por sinal, o elevado custo da construção foi devido, em especial, à perfuração e ao sistema de bombeamento de água salgada para encher a piscina, já que não havia água doce encanada na época. Antes da construção, o local abrigava o ringue de boxe em que Hemingway lutava com amadores da região. Com o projeto da piscina, o ringue foi realocado em uma rua nas proximidades.


GATOS DE SEIS DEDOS?!

Um legado importante – e gracioso – deixado por Ernest Hemingway são os mais de 40 gatos que habitam a residência. Seriam todos descendentes de Snowball, o gatinho de seis dedos que Hemingway ganhou de um amigo que era capitão de navio. O engraçado é que, de fato, muitos dos gatos da residência são polidáctilos como seu ancestral, ou seja, possuem um dedinho extra, mais comum nas patas da frente, mas podendo acontecer nas patinhas traseiras também.



A casa conta, inclusive, com um cemitério de gatos. Ali, descansa em paz a parentada mais antiga dos atuais habitantes da casa. Não estranhem se virem nomes conhecidos nas “lápides”; é que os gatos de Hemingway sempre foram (e ainda são) batizados com nomes de personalidades ilustres.




LIVRARIA E LEMBRANCINHAS

A Hemingway House Book Store and Gift Shop dispõe, naturalmente, das obras do autor, além de biografias e publicações diversas relacionadas à ilha de Key West. Lá também é possível comprar souvenires e itens colecionáveis variados, todos relacionados ao escritor.




NUMA MESA DE BAR...

No número 201 da Duval Street encontra-se o Sloppy Joe’s Bar. Aberto em 1933, o bar carrega até hoje a fama de ter sido o bar preferido de Ernest Hemingway em Key West. Também um ponto de atração de turistas – óbvio! –, o estabelecimento foi incluído no Registro Nacional de Lugares Históricos (National Register of Historic Places – NRHP).


Sloppy Joe’s Bar, em 1986. Foto daqui: www.floridamemory.com/items/show/100797





CURIOSIDADES

Hemingway retratou diversos moradores de Key West como personagens em Ter e Não Ter (To Have and Have Not – 1937), romance sobre a Key West da época da Grande Depressão.

A casa foi usada, em 1988, como locação do filme 007 – Permissão Para Matar (Licence to Kill), lançado no ano seguinte.

O jardim da casa pode ser alugado para eventos e, inclusive, possui uma área especial para casamentos. Repleto de árvores e flores (gardênias, hibiscos,...), o lugar exala romantismo e traz aquela sensação de estar perdido no tempo.




SAIBA MAIS

  • The Ernest Hemingway Home & Museum, site oficial.
  • No UOL Bichos tem mais fotos dos gatinhos moradores da casa.

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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10 COMENTÁRIOS

  1. Que maravilha!
    eu adoraria conhecer, confesso.
    E pelas fotos, além de histórico, é lindo.

    Beijos,
    Carissa
    www.carissavieira.com

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  2. Gente!!!!!! Adorei o ~~passeio~~ virtual acho que enloqueceria lá, bem aconchegante.
    Fofo o cemitério dos gatos HAHA.

    Abs

    http://tediosoc.blogspot.com

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    Respostas
    1. Aconchegante mesmo! É daquelas casas que a gente entra e dá vontade de morar. =)

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  3. Q ótimo. Nunca tinha visto mais detalhes. A história dele é fascinante.

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  4. Olá!
    Nossa, que lindo! Nunca tive curiosidade em conhecer o lugar, pois nunca tinha visto, mas adorei!
    Beijos.

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  5. E queria casa nesse lugar, hahaha
    Achei o simplesmente maravilhoso!

    Beijos.
    Páginas na Estante
    @alyneadriana

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  6. Curti mto o lugar, bem cara de cidade americana de seriado.
    Adorei o post, bem diferente e mto bacana.
    Parabéns ;)

    Andy_Mon Petit Poison

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    Respostas
    1. Andy, a cidade é uma graça!!! Pequena, mas simpática e coloridinha, com um pôr-do-sol encantador. ^^

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  7. Que lugar mágico Aline ♥
    Bom demais visitar lugares assim.. Já amo casas antigas, não iria querer sair tão cedo de lá.

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    Respostas
    1. O lugar é adorável, e sabe que foi uma surpresa porque não sabia que tinha a casa de Hemingway lá em Key West, foi chegando na cidade que descobri. E imagina a euforia da pessoa, então!!! Hehehehe. Também adoro casas como atmosfera antiga.

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