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Resenha: As Brumas de Avalon - A Grande Rainha (Livro 2), de Marion Zimmer Bradley

As Brumas de Avalon 28 de março de 2010 Aline T.K.M. 10 COMENTÁRIOS

Resenha de As Brumas de Avalon: A Grande Rainha (livro 2), de Marion Zimmer Bradley

Logo no início de As Brumas de Avalon – A Grande Rainha, nasce o filho de Morgana no Norte, junto a Morgause e Lot, sendo por eles criado como um filho adotivo – mais como uma estratégia de Morgause, já que ela e o marido tinham a ambição de que um de seus filhos herdasse o trono de Artur.

Neste livro, porém, o destaque vai para o desenvolvimento da personagem de Gwenhwyfar, que é a escolhida para casar-se com o Grande Rei Artur por conta de seu dote, sem que entre eles houvesse amor (nunca se haviam visto antes do casamento). Artur recebeu sua noiva com bondade e surpreendeu-se com sua beleza. Entre eles nasceu um grande afeto. Gwenhwyfar reconhecia a bondade do marido e o retribuía sendo uma esposa atenciosa; no entanto, seu coração de mulher pertencia a outro: Lancelote. Este, por sua vez, também a amava com todo o seu ser, e mantinha-se em um denso conflito por ser o melhor companheiro de Artur (a quem era verdadeiramente leal) e, ao mesmo tempo, amar sua esposa.

Gwenhwyfar representa a verdadeira figura do cristianismo, sempre submissa, recatada e amedrontada. Seu medo era tanto que buscava a segurança de muralhas e paredes e temia ficar exposta aos campos abertos e ao céu, imenso sobre sua cabeça. Sempre muito religiosa, temia o castigo divino e, pior, martirizava-se a si mesma por seus pensamentos “impuros” em relação à Lancelote. Podemos notar o quão intenso é esse martírio quando, mesmo com a compreensão do padre, ela pensa que teria se sentido melhor e mais livre (!!) se ele a tivesse censurado e lhe imposto penitências pesadas.

As atitudes e pensamentos de Gwenhwyfar ao longo do livro fizeram com que eu desenvolvesse uma enorme antipatia por ela. E também pena. A personagem sofre em demasia por não ter o homem amado e sente-se humilhada por não conseguir conceber um filho de Artur. No entanto, Gwenhwyfar tem uma visão de mundo muito limitada, presa às suas verdades e totalmente intolerante às diferenças. Mas também é necessário compreender que isso se deve à forma como foi educada.

Fica evidente o aspecto tirano e intolerante do cristianismo, por exemplo, na parte em que lemos a respeito de Gwenhwyfar: “com Artur a seu lado e a sua bandeira da cruz flutuando sobre o acampamento de Artur, ela sentia amor e tolerância para com todos (...)”. Assim sendo, uma vez que o cristianismo exerce seu domínio, realmente revela-se tarefa fácil ter amor e tolerância ao próximo – ainda mais quando este está sob seu poder incontestável.

Também preciso dizer que achei particularmente adorável quando Morgana vai parar no país das fadas. Lá não é possível ver o sol e nem a lua, e o tempo flui como num sonho. O que parecia ter sido dias foram anos, na verdade. Anos de juventude, festas e prazeres. Encantador! Só lamentei não ter podido ser eterna a presença de Morgana nesta terra, embora fosse mesmo impossível por conta do papel essencial de Morgana em toda a história.

Posso seguramente afirmar que este segundo volume de As Brumas de Avalon superou as minhas expectativas. A leitura continuou envolvente e gostosa, tal como foi minha experiência com o primeiro volume. E o final, bom, o livro termina com um acontecimento que eu esperava ansiosamente desde os primeiros capítulos e, confesso, não imaginei que fosse ocorrer exatamente da forma como ocorreu – ainda mais surpreendente do que eu esperava. Gostei bastante! Mas esse é apenas um “final”, assim mesmo, entre aspas, já que ainda restam outros dois volumes para completar a obra...



Onde comprar: Livraria Cultura

Título: As Brumas de Avalon – A Grande Rainha (Livro 2)
Título original: The Mists of Avalon (volume único)
Autor(a): Marion Zimmer Bradley
Tradução: Waltensir Dutra
Editora: Imago
Edição: 2008
Ano da obra: 1982
Páginas: 232

LEIA TAMBÉM

As Brumas de Avalon – A Senhora da Magia (Livro 1)
As Brumas de Avalon – O Gamo-Rei (Livro 3)
As Brumas de Avalon – O Prisioneiro da Árvore (Livro 4)

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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10 COMENTÁRIOS

  1. Aline,
    eu adoro essa série e já li alguns outros livros da autora. é mto bom! bjos. A Gwinnefar me dava nos nervos, e ao mesmo tempo, eu morria de pena dela... rsrs. bjo

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  2. Aline gostei do seu blog,achei mto legal,vai lá no meu e me fala o que você achou dele ok?
    e la tah tendo uma promoção,a promoção:Formaturas Infernais no blog do julio,vc pode concorrer a um exemplar do livro formaturas infernais.
    já to seguindo seu blog.

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  3. Comprei essa saga em promoção, tenho os 4 livros aqui, lindos esperando leitura, só me falta tempo, kkk

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  4. Eu li o primeiro e dei uma desanimada... acho que agora é tempo de retomar a série, antes que eu desista de vez...rss
    Adorei sua resenha...

    beijos,
    Dé...

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  5. Nossa, eu li esses livros apenas 6 vezes, kkkk A primeira foi logo que lançaram no Brasil. Minha mãe comprou e eu me encantei com aquela dama solitária, melancólica, levando a espada, montada num cavalo. Foi amor a primeira vista. Devorei os livros, virei fã de Morgana e comprei meus próprios exemplares. Vira e mexe me dá vontade de ler de novo!

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  6. oi aline,em qual livraria cultura você viu os livros do cirque du freak?eu quero muito ler,mas fui procurar na internet em tudo que é site e não achei,sóa chei no preço de euro.
    Bjss
    Julio

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  7. Eu tenho a coleção completa, mas ainda não deu tempo de ler.
    Gostei do seu Blog Aline. Muito bem elaborado.

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  8. Oi Aline!
    Nao sei se vc le em ingles, mas estou sorteando um livro no meu blog.
    Se vc tiver interesse passa la!
    Obrigada.
    http://wishingabook.blogspot.com/2010/03/promocao-shiver.html

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  9. Para todo mundo que comprou a saga e ainda não leu.... Gente!!! Vale muito a pena, de verdade! Vocês não vão se arrepender! =D

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  10. Parabéns pelo texto!

    Estou relendo os livros e está sendo muito agradável.

    Também senti as mesmas coisas que você a respeito da Gwenhwyfar. Certamente o motivo que levou ela a ser tão mente fechada foi a criação e o próprio contexto daquela época, mas às vezes ela ultrapassa o limite do suportável!

    Gosto bastante do Kevin. As descrições que a Marion Zimmer Bradley faz da música dele me faz imaginar algo muito intenso e belo.

    Ah, sim, tb estava esperando por aquele final. Uma bela ponte para o terceiro livro, sem dúvida.

    Abraços e parabéns pelo blog.

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