Resenha: Fundação e Império (Trilogia da Fundação #2), de Isaac Asimov | Livro Lab
Últimos vídeos    |  Se inscreva no canal
Leituras de outubro: 4 ótimos livros (ou quase!)  Resenha da HQ: A Diferença Invisível, de Julie Dachez e Mademoiselle Caroline  Resenha: As Primeiras Quinze Vidas de Harry August
Leituras de abril

Resenha: Fundação e Império (Trilogia da Fundação #2), de Isaac Asimov

Aleph 21 de julho de 2016 Aline T.K.M. 4 COMENTÁRIOS

Fundação e Império, de Isaac Asimov

Mal terminei de ler Fundação e Império – o 2º volume da Trilogia da Fundação – e já fui logo pensando em como dividir com vocês de forma justa todas as sensações e momentos de “Aiii, e agora?” que essa leitura me provocou. Prometi a mim mesma que iria tentar da melhor maneira possível, mas já sabendo e avisando de antemão que as palavras não farão jus às sensações – não totalmente, pelo menos.

Dando continuidade aos acontecimentos do primeiro volume da trilogia, na primeira parte de Fundação e Império, intitulada “O General”, avançamos em um futuro que segue ainda de acordo com a psico-história e as previsões de Hari Seldon. Se por um lado os comerciantes exercem domínio cada vez maior na Fundação, por outro, o Império conseguiu certa estabilidade ao manter sob controle a inevitável decadência e as rebeliões. Entretanto, uma guerra entre a Fundação e o Império está prestes a eclodir, liderada pelo General Bel Riose.

Já a segunda parte do livro – “O Mulo” – traz uma Fundação decadente, governada por um ditador, que tem o apoio dos grandes comerciantes. Uma guerra civil liderada por comerciantes independentes aconteceria com o intuito de derrubar o governo do tirano Indbur III. Pelo menos era o que previa a Quinta Crise Seldon.

Passamos, então, por diferentes mundos na periferia da Galáxia, como Refúgio e Kalgan. É para este último que são enviados os recém-casados Toran e Bayta – ele, comerciante de Refúgio, ela, cidadã da Fundação. Em Kalgan – mundo do entretenimento e dos prazeres – eles têm a missão de saber mais sobre um tal de Mulo que, dizem as boas e as más línguas, derrotou o senhor da guerra de Kalgan sem precisar lançar mão de batalhas.

Não encontram o Mulo – além de misterioso, ele não parece ser tão acessível. Mas dão de cara com Magnífico, um sujeito artista, esquisito, medroso, muito magro e com um nariz avantajado, que carrega o título de “palhaço do Mulo”, sendo responsável pelo entretenimento de seu senhor. Isso antes de ter se tornado um fugitivo. A verdade é que Magnífico tem um medo surreal do Mulo e não é por pouca coisa – o sujeito simplesmente está fazendo “a rapa” na Galáxia, conquistando e dominando sem precisar usar de força.

Ainda, há outro agravante: as ações do Mulo parecem alterar os planos de Seldon, ou seja, as previsões das crises Seldon não contam com a interferência de um único indivíduo – lembrando que a psico-história trabalha sempre com as massas –, ainda mais do tipo do Mulo. Com essa interferência nos planos, já não há garantias de que a Fundação sempre saia vencedora.

Seja de passagem pelo Império – o que restou dele – na metálica Trantor, ou conhecendo Neotrantor – um mundinho marcado pela volta às origens, solo natural e cultivo de alimentos vegetais –, o casal enfrenta obstáculos e percebe homens do Mulo onde quer que estejam.

Se em Fundação o autor contextualiza a trama e mostra as decorrências do Plano Seldon ao longo do tempo, em Fundação e Império as certezas são questionadas, o que presenciamos não corresponde exatamente àquilo que deveria ser e há uma atmosfera de tensão constante. Em dado momento, já não se sabe o que está por vir nem a solução da crise atual – que não é uma Crise Seldon da maneira originalmente prevista, e isso preocupa. As coisas vão se complicando em um crescendo e o final, meus amigos, é de prender a respiração.

Bem, toda essa genialidade só podia vir de um nome. Isaac Asimov, um dos grandes representantes da ficção científica, é conhecido pelo universo que criou e pelas tramas geniais, unidos a uma narrativa simples e acessível. Assim como em Fundação, o texto é marcado pela agilidade em tempo integral. O autor não perde tempo – nem linhas – com divagações; o tempo passa rápido e as coisas acontecem sempre com um porquê.

No segundo volume da Trilogia da Fundação, a ordem das coisas é posta em xeque – a ideia de um desvio do caminho previsto por Hari Seldon é motivo de desespero e não é para menos. Adicionam-se aí duas figuras misteriosas e um poder desconhecido e diferente de tudo o que já foi visto. Para terminar, eu só digo uma coisa: se existe um livro capaz de fazer o leitor suar de tensão, Fundação e Império é esse livro. Sem mais. (Mentira, tem mais nos tópicos logo abaixo!)

LEIA PORQUE

Fundação e Império faz parte de uma das séries mais originais e inteligentes que já tive a chance de ler. Tem a ver com sociedade, com política, com a humanidade, até – tudo brilhantemente combinado em uma narrativa fácil e objetiva.

DA EXPERIÊNCIA

O clima de tensão dominou do início ao fim! Vamos dizer que, pela primeira vez, começa a dar ruim nos planos e previsões de Seldon. Não, vocês não entenderam... Está dando muito ruim nos planos de Seldon. O susto do desfecho só me deixou mais ansiosa para ler o terceiro volume da trilogia, Segunda Fundação, e então partir para a extensão da série.

FEZ PENSAR

Vou dizer uma coisa muito nada a ver, mas preciso dividir isso com alguém. Esse Magnífico, o palhaço do Mulo, eu o imaginei assim, tipo, idêntico àquele personagem do jogo Street Fighter, o Dhalsim. Só que uma versão beeem mais raquítica dele. (Ei, galera dos anos 90, não me deixem sozinha nessa, comentem algo, concordem comigo hahaha...)



Onde comprar o livro: Saraiva
Onde comprar o box Trilogia da Fundação: Amazon

Título: Fundação e Império
Título original: Foundation and Empire
Autor(a): Isaac Asimov
Tradução: Fábio Fernandes
Editora: Aleph
Edição: 2009 – 8ª impressão
Ano da obra: 1952
Páginas: 244

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

Você também vai  

4 COMENTÁRIOS

  1. Eu tenho vontade de ler a trilogia, mas sempre acaba surgindo outras coisas na frente.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu fiquei postergando um tempão para começar a ler, mas olha... vale a pena, são ótimos os livros, recomendo! Bjs!

      Excluir
  2. Gostei da resenha. Fundação e Império é um livro tenso, marcado pela incerteza do embate entre os planos Seldon x Mulo. Espero que vocÊ goste do fechamento da trilogia em Segunda Fundação. Asimov é um dos meus escritores preferidos.

    Abraço

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tenho gostado muito do Asimov e ando bem empolgada com a Trilogia da Fundação. Espero que eu consiga ler logo mais o desfecho - ansiosa! E depois pretendo ler as continuações da série. Minhas expectativas estão altas com relação a Segunda Fundação, vamos ver! Abs!

      Excluir

Siga @aline_tkm lá no Instagram!

Parceiros