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Quote da quinzena #24

Clássicos 19 de fevereiro de 2015 Aline T.K.M. 4 COMENTÁRIOS


Ocupando posição sólida no meu top 10, 1984 é aquele livro que precisa ser lido uma vez na vida. E que merece ser relido muitos anos depois – décadas, talvez.

Minha experiência com esse clássico distópico de George Orwell foi extraordinária, me mesmo atrevo a dizer que terminei a leitura com um quê diferente dentro de mim. 1984 é um livro que transforma. Demorei para finalmente lê-lo – após anos a fio na minha wishlist – e penso que o li no momento certo. Quero relê-lo daqui a algumas décadas: seguramente absorverei novas nuances da leitura.

Decidir quais quotes eu selecionaria (dos muitos que transcrevi) para postar aqui não foi uma missão qualquer. Acho que fiz boas escolhas; a partir dos trechos abaixo dá para se ter uma boa ideia da essência desse livro único.

Com exceção dos poucos centímetros que cada um possuía dentro do crânio, ninguém tinha nada de seu.

As consequências de toda ação estão contidas na própria ação.

[...] a tragédia pertencia aos tempos de antigamente, aos tempos em que ainda havia privacidade, amor e amizade, e em que os membros de uma família se amparavam uns aos outros sem precisar saber por quê. [...] Agora havia medo, ódio e dor, mas não dignidade na emoção, não tristezas profundas ou complexas.

Se o Partido era capaz de meter a mão no passado e afirmar que esta ou aquela ocorrência jamais acontecera – sem dúvida isso era mais aterrorizante do que a mera tortura ou a morte. [...] E se todos os outros aceitassem a mentira imposta pelo Partido – se todos os registros contassem a mesma história –, a mentira tornava-se história e virava verdade. “Quem controla o passado controla o futuro; quem controla o presente controla o passado”, rezava o lema do Partido. [...] Tudo o que fosse verdade agora fora verdade desde sempre, a vida toda. Muito simples. O indivíduo só precisava obter uma série interminável de vitórias sobre a própria memória. “Controle da realidade”, era a designação adotada. Em Novafala: “duplipensamento”.

Tudo pura camuflagem. Se você obedecesse às regras desimportantes, poderia desobedecer às importantes.

Havia uma conexão íntima e direta entre castidade e ortodoxia política. Porque, de que maneira manter no diapasão certo o medo, o ódio e a credulidade imbecil que o Partido necessitava encontrar em seus membros se algum instinto poderoso não fosse represado e depois usado como força motriz?

[...] a visão de mundo do Partido era adotada com maior convicção entre as pessoas incapazes de entendê-la. [...] Graças ao fato de não entenderem, conservavam a saúde mental.

Mas... e se seu objetivo não fosse permanecer vivo, e sim permanecer humano? [...] Podiam arrancar de você até o último detalhe de tudo que você já tivesse feito, dito ou pensado; mas aquilo que estava no fundo de seu coração, misterioso até para você, isso permaneceria inexpugnável.

[...] a igualdade humana já não era um ideal a perseguir, mas um perigo a evitar. [...] O paraíso terrestre fora desacreditado exatamente no instante em que se tornara praticável.

Poder não é um meio, mas um fim. Não se estabelece uma ditadura para proteger uma revolução. Faz-se a revolução para instalar a ditadura. O objetivo da perseguição é a perseguição. O objetivo da tortura é a tortura. O objetivo do poder é o poder. Agora você está começando a me entender?

Obediência não basta. [...] Poder é infligir dor e humilhação. Poder é estraçalhar a mente humana e depois juntar outra vez os pedaços, dando-lhes a forma que você quiser. E então? Está começando a ver que tipo de mundo estamos criando? [...] O progresso, no nosso mundo, será o progresso da dor.

1984, de George Orwell


Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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4 COMENTÁRIOS

  1. Esse livro é sensacional! Também que reler ele muitas outras vezes.

    Beijos!
    livrosdawis.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Né! E é um livro que (pelo menos para mim) não funciona quando a gente é muito novo. Fiquei por anos querendo lê-lo, mas no fim acredito que li na hora certa. Beijos!

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  2. Ainda não conhecia a obra, mais os quotes me despertaram a vontade ;)
    Parabens pelas escolhas

    Beijos <3

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    Respostas
    1. Olha, é uma leitura que eu sempre vou recomendar! =) 1984 é um livro atemporal e tem muito a dizer, não importa quantas décadas tenham se passado. Beijo!

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