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Resenha: O sentido de um fim, de Julian Barnes

Julian Barnes 8 de outubro de 2013 Aline T.K.M. 6 COMENTÁRIOS


Eu descobri que esta pode ser uma das diferenças entre a juventude e a velhice: quando somos jovens, inventamos diferentes futuros para nós mesmos; quando somos velhos, inventamos diferentes passados para os outros.


Aos sessenta e poucos anos, Tony Webster recorre às lacunas de suas lembranças ao deparar com o passado. Uma herança inesperada o faz retomar contato com uma ex-namorada da adolescência, e abrir o baú das reminiscências acerca de Adrian Finn, amigo brilhante dos tempos de escola.

Entre ironia, imperfeições e a subjetividade do tempo, Julian Barnes reflete sobre a fragilidade dos alicerces da memória através das investigações de Tony.

O inteligente (talvez até demais) Adrian havia dito na aula do Velho Joe Hunt que “precisamos conhecer a história do historiador a fim de entender a versão que é colocada diante de nós”. O já sessentão Tony lembra essas palavras à medida que refaz um delicado quebra-cabeças de sua juventude nos anos 60. A memória é uma aliada, mas nem sempre.

De acordo com o que permite a lembrança, ou a lembrança da sensação vivida na época dos acontecimentos, Tony nos molda os amigos, a complicada relação com Veronica – caracterizada pela frustração sexual e pelo sentimento de humilhação perante a família da garota, de classe social mais elevada –, o impacto causado pela morte precoce de um colega de classe – Robson, cuja namorada estava grávida, se suicidara. A amizade com Adrian Finn, um garoto meio filósofo, para quem quase tudo era “filosoficamente autoevidente”.

A constatação da passagem para a idade adulta, ao passo que as ilusões e as aventuras não são mais que flores murchas, tendo perdido cor e vivacidade antes mesmo de que ele pudesse se dar conta. No lugar das convicções e sonhos, apenas “a pequenez da vida que a arte exagera”; a pacatez de uma vida que, afinal, nem é tudo aquilo que a pintam.

Anthony, ou Tony, descobre certos sentimentos ao longo da vida, como, por exemplo, o ácido remorso. Que vem como que embutido numa herança esquisita de 500 libras e um documento – o diário de seu amigo Adrian Finn.

O sentido de um fim fala sobre sentimentos, sobre o passado (num momento em que o futuro já não importa tanto), sobre a vida e a tentativa de compreender as coisas. Fala também sobre o tempo, que “primeiro nos prende e depois nos confunde”, segundo Tony, e que passa cada vez mais depressa.

O que é História? Seria a mentira dos vitoriosos, ou uma forma de o derrotado se autoiludir? Certamente, Finn terá uma resposta melhor para essa longa especulação que permeia as 160 páginas do livro.

Porque assim como toda mudança política e histórica mais cedo ou mais tarde decepciona, acontece o mesmo com a idade adulta. E com a vida. Às vezes eu acho que o objetivo da vida é nos reconciliar com sua perda irremediável vencendo nossas resistências, provando, por mais tempo que isto leve, que a vida não é tudo que tem a reputação de ser.


LEIA PORQUE

Além de ter dado a Julian Barnes o prêmio Man Booker de 2011, O sentido de um fim é uma leitura reflexiva por essência. Talvez um tanto pessimista, mas diria que ganha status de obrigatória na vida de um ser humano.

DA EXPERIÊNCIA

E Barnes me surpreende pela segunda vez este ano!

FEZ PENSAR EM

“Você pode dizer, Mas não eram os anos 1960? Sim, mas só para algumas pessoas, só em certas partes do país.”



Onde comprar: Amazon (e-book Kindle)

Título: O sentido de um fim
Título original: The sense of an ending
Autor(a): Julian Barnes
Tradução: Lea Viveiros De Castro
Editora: Rocco
Edição: 2012
Ano da obra: 2011
Páginas: 160

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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6 COMENTÁRIOS

  1. Gostei!
    Com certeza vou incluí-lo na lista!
    Beijinhos
    Rizia-Livroterapias

    ResponderExcluir
  2. Eu comprei esse livro na livraria de um aeroporto e acabei me surpreendendo muito com o enredo e com a narrativa do autor. Eu gostei muito, concordo com todos os pontos que você comentou na resenha. Desde que li quero ler mais livros do Julian Barnes.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esse livro é muito bom, mesmo; um verdadeiro achado, viu! Para ler e pensar, concordar, discordar, pensar mais, e o que for. Recomendo que leia Pulso, do mesmo autor.

      Excluir
  3. Eu me apaixonei pelo título desse livro! E pela sua resenha ele foi me conquistando, vou ter que adicionar na lista, rs.

    Beijos, Lizz
    www.livrosecores.blogspot.com.br/

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  4. Gostei da resenha!
    Não conhecia o livro, vou procurar saber mais!

    Beijos
    http://plantaoonline.blogspot.com.br/

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  5. Oi Aline, você tem o dom para resenhas, rsrs...
    Adorei.
    Não conhecia, vou adicionar à lista também, não sei se vai ser prioridade, mas assim que topar com ele vou arriscar.
    Beijos
    Cooltural

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