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Quote da quinzena: O Jantar

Herman Koch 18 de janeiro de 2016 Aline T.K.M. Nenhum comentário


Se fosse listar os livros que mais mexeram comigo, O Jantar, do holandês Herman Koch, certamente entraria na lista. Altamente psicológica, a trama perturba e desconstrói a ideia da família perfeita e feliz – olhando de perto, sempre há algo podre. É desse livro (leitura obrigatória!) que tirei os quotes escolhidos para fechar muito bem a primeira quinzena do ano.

Um jantar num restaurante fino é o cenário onde se encontram dois irmãos e suas esposas, com um objetivo: discutir um sério acontecimento envolvendo os filhos adolescentes de ambos os casais. O assunto é delicado e as famílias evitam abordá-lo; no entanto, as coisas começam a ficar tensas ao longo da noite, e manter o controle já não parece tão simples.

Em meio a aparências e segredos, valores morais são postos à prova em uma história que instiga e deixa o leitor mergulhado em sentimentos contraditórios.

Saboreiem os trechos abaixo; depois, duvido que ainda haverá leitor que não esteja loucoooo para pôr as mãos nesse livro...

Se eu tivesse que dar uma definição de felicidade, seria esta: a felicidade não precisa de nada além dela mesma, não precisa ser sancionada. “Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira” é a frase de abertura de Anna Karenina, de Tolstói. A única coisa que eu poderia querer acrescentar a isso é que famílias infelizes – e, entre famílias, em especial o marido e a mulher infelizes – nunca são infelizes sozinhas. Quanto mais pessoas para comprovar, melhor. A infelicidade adora companhia. A infelicidade não suporta o silêncio, especialmente o silêncio desconfortável que se instala quando tudo é solitário.

Mas às vezes eu não conseguia deixar de pensar que tudo era muito mais simples do que isso, que Babette simplesmente comprara algo, uma vida ao lado de um político de sucesso, e que parar agora seria desperdiçar todo o tempo que havia investido: da mesma forma como você não desiste de um livro ruim após ter chegado à metade, você o termina mesmo sem vontade; foi assim que ela ficou com Serge – talvez o final compensasse parte disso.

Essa era uma palavra usada algumas vezes por amigos, parentes, conhecidos e colegas quando ligavam. Eles perguntavam: “Ela corre risco de morrer?” Perguntavam isso em voz baixa, mas era possível ouvir sua animação – quando as pessoas têm uma oportunidade de chegar perto da morte sem que ela as toque pessoalmente, nunca perdem a oportunidade. Do que também me lembro bem é da urgência que eu sentia de responder afirmativamente à pergunta: “Sim, é mortal.” Queria ouvir o silêncio que se faria do outro lado após uma resposta como essa.

Em minha opinião, quando diante de inteligências inferiores, a estratégia mais eficiente é contar uma mentira completa: com uma mentira você dá aos idiotas uma chance de se retirar sem passar vexame.

Trechos retirados do livro O Jantar, de Herman Koch.

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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