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Quote da quinzena: Minha Querida Sputnik

Haruki Murakami 11 de dezembro de 2015 Aline T.K.M. Nenhum comentário


Sim, os quotes escolhidos para esta primeira quinzena de dezembro (a penúltima do ano!) são desse livro de capa linda aí ao lado: Minha Querida Sputnik. O autor é um dos que mais admiro e que coleciona fãs mundo afora. Sim de novo: falo de Haruki Murakami!

Como na Trilogia 1Q84, o autor dá à realidade pinceladas do fantástico e concebe uma trama repleta de mistérios – nem todos passíveis de serem solucionados, diga-se de passagem. Seja pela complexidade dos personagens ou pelo triângulo amoroso bonito e algo inusual, Minha Querida Sputnik é daqueles livros dos quais a gente raramente se esquece, pode passar o tempo que for. É por considerá-lo tão especial que hoje compartilho com vocês estes trechos deliciosos que separei na época da leitura.

[...] se me permitem uma generalização medíocre, as coisas inúteis também não têm um lugar neste mundo longe de ser perfeito? Retire tudo o que é fútil de uma vida imperfeita e ela perderá, até mesmo, sua imperfeição.

Sumire queria ser como um personagem de um romance de Kerouac – selvagem, fria, devassa. Andava por aí com as mãos enfiadas no fundo do bolso do casaco, o cabelo despenteado, olhando apaticamente para o céu através de seus óculos de armação preta de plástico, que usava apesar de sua vista perfeita. [...] Se houvesse um jeito de ela ter barba, estou certo de que a teria.

No instante em que Miu tocou em seu cabelo, Sumire se apaixonou, como se estivesse atravessando um campo e, bang!, um raio caísse direto em sua cabeça. Algo parecido com uma revelação artística. Foi por isso que, a essa altura, não tinha importância para ela que a pessoa por quem se apaixonasse fosse uma mulher.

[...] quando eu era garoto comecei a traçar uma fronteira invisível entre mim e as outras pessoas. Independentemente de com quem estava lidando, mantinha uma distância fixa, monitorando com cuidado a atitude da pessoa de modo que não se aproximasse. Eu não engolia facilmente o que os outros me contavam. Minhas únicas paixões eram os livros e a música. E, como podem imaginar, levava uma vida solitária.

Quando a minha juventude escapuliu de mim? Pensei, de repente. Estava acabado, não estava? Ainda ontem eu estava crescendo. Huey Lewis and the News tinham algumas músicas de sucesso na época. Não fazia muito tempo. E agora, ali estava eu, dentro de um circuito fechado, girando minhas rodas. Sabendo que não chegaria a lugar nenhum, mas girando, assim mesmo. Tinha de mantê-las girando ou não conseguiria sobreviver.

Cada um de nós tem um quê especial que só podemos usufruir em um momento especial da nossa vida. Como uma pequena chama. Alguns poucos afortunados cuidam dessa chama, alimentam-na, segurando-a como uma tocha para iluminar seu caminho. Mas, uma vez apagada, nunca mais se acende. O que eu tinha perdido não tinha sido somente Sumire. Eu tinha perdido essa chama preciosa.

Por que as pessoas têm de ser tão sós? Qual o sentido disso tudo? Milhões de pessoas neste mundo, todas ansiando, esperando que outros a satisfaçam, e contudo se isolando. Por quê? A terra foi posta aqui só para alimentar a solidão humana?

Trechos retirados do livro Minha Querida Sputnik, de Haruki Murakami.

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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