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Em cartaz: Três lembranças da minha juventude

À la française 19 de novembro de 2015 Aline T.K.M. 2 COMENTÁRIOS


Ganhador do prêmio SACD na seleção deste ano da Quinzena dos Realizadores em Cannes, Três lembranças da minha juventude é o capítulo inicial da trajetória do personagem Paul Dédalus, sucedido por Comment je me suis disputé... (ma vie sexuelle), de 1996. O personagem também aparece em Um Conto de Natal, de 2008.

De regresso a Paris, Paul Dédalus (Mathieu Amalric) é envolto em lembranças. De sua infância e das crises de loucura da mãe; da viagem à URSS, já na adolescência, onde acabou cedendo seus documentos a um jovem russo; das festas com os irmãos e amigos; de seus estudos em Paris e da descoberta da vocação para a antropologia. E, acima de tudo, Paul se lembra de Esther (Lou Roy-Lecollinet), o grande e turbulento amor do fim de sua adolescência.

“Três lembranças da minha juventude”: de maneira lírica e intimista, e a partir de memórias, acompanhamos um garoto tornar-se homem

Um pequeno Paul Dédalus inflamado e de faca em punho impede a mãe, histérica, de subir as escadas até o quarto das crianças. A cena resume o primeiro dos três capítulos do filme, o que retrata a infância do protagonista, marcada por uma mãe ao estilo daquela da obra de Hervé Bazin – Vipère au poing, um dos mais conhecidos romances infantojuvenis da literatura francesa, que originou o filme De víbora em punho (Philippe de Broca).

Alter ego fictício do cineasta Arnaud Desplechin e uma espécie de Antoine Doinel (aliás, o personagem de Truffaut tampouco guarda belas memórias da mãe), o já adolescente Paul Dédalus é marcado por outro acontecimento, então no segundo capítulo do longa. Em visita à URSS, ele acaba entregando seu passaporte a um jovem judeu, que se torna um segundo Paul Dédalus, possibilitando seu refúgio em Israel. Fato que, mais tarde, será o botão que acionará as lembranças do protagonista.



Passeando por gêneros diferentes, chegamos ao terceiro e último capítulo do filme, o mais longo e belo dos três, intitulado “Esther”. É aqui que conhecemos um Paul Dédalus já no final da adolescência, presenciamos seu encontro – e obsessão – com a bela e orgulhosa Esther e testemunhamos o amor visceral entre os dois. Amor doce, carnal, repleto de lágrimas, feridas, enganos e distâncias.

Esther é o centro das lembranças de Paul. A garota disputada por inúmeros pretendentes e que mais adiante revela uma melancolia profunda, mantém fixo o olhar do espectador, atraído sem perceber pelos inúmeros planos fechados no rosto da moça. Frágil, Esther é fonte de alegria e infelicidade para Dédalus; seu rosto, fadado a morar eternamente na memória do protagonista.



Quase ausente de adultos, a juventude retratada por Desplechin traz lirismo, volúpia e, em vários momentos, adquire característica epistolar – Paul e Esther mantêm um amor à distância por um bom tempo e as trocas de cartas são uma lufada de ar ante a possibilidade de sufocamento. Os jovens em torno do casal adolescente compreendem a vida a partir da própria vivência; pano de fundo, a queda do Muro de Berlim é também a constatação do rompimento para sempre daquilo que um dia fora a infância.

Seja pelos novatos Quentin Dolmaire e Lou Roy-Lecollinet – na pele de Paul Dédalus jovem e Esther, talentos a serem seguidos de perto –; seja pelo caráter íntimo e romanesco do filme; seja pela sensação de estarmos assistindo a um romance de formação. Ou por tudo isso junto. Três lembranças da minha juventude, obrigatório para os apreciadores do cinema de Depleschin, é um filme para ser admirado em todos os seus aspectos.




NOTA: 10/10
ESTREIA: 19 de novembro

Três lembranças da minha juventude (Trois souvenirs de ma jeunesse) – 123 min.
França – 2015
Direção: Arnaud Desplechin
Roteiro: Arnaud Desplechin, Julie Peyr
Elenco: Mathieu Amalric, Lou Roy-Lecollinet, Quentin Dolmaire, Léonard Matton, Cecile Garcia Fogel, Françoise Lebrun, Olivier Rabourdin, Irina Vavilova, Dinara Droukarova, Raphaël Cohen, Clémence Le Gall

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Oi Aline!

    Eu adoro o cinema francês, sempre com filmes 100%. Nunca tinha ouvido falar do filme, mas fiquei bem curiosa, principalmente para ver a parte do romance (confesso que sou uma romântica incurável)! Mas enfim, parece mesmo ser um bom filme.

    Beijo!
    http://www.roendolivros.com

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    Respostas
    1. Oi Ana, ahh cinema francês é tudo e mais um pouco, eu amo demais. Este filme estreou há bem pouco tempo, e eu recomendo bastante. É longo e pode até ser cansativo dependendo do dia ou ânimo que você esteja, mas a história é muito bonita, visceral, e a fotografia também é linda. Se puder, assista! Beijos!

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