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Quote da quinzena #37: A Espuma dos Dias

À la française 21 de agosto de 2015 Aline T.K.M. 2 COMENTÁRIOS


Sou suspeitíssima para falar o que quer que seja de A Espuma dos Dias: o livro é um queridinho meu e ocupa lugar de destaque na estante. Da mesma forma, a adaptação cinematográfica de Michel Gondry é uma das coisas mais lindas a que assisti nos últimos anos – e tem Romain Duris e Audrey Tautou.

Do francês Boris Vian, A Espuma dos Dias é um clássico moderno e foi publicado pela primeira vez na década de 40. O livro retrata a trajetória de um grupo de amigos e, em primeiro plano, a história de amor entre Colin e Chloé. Uma história doce, bem-humorada... e trágica. Tudo isso envolto em um clima de surrealismo (há um rato que fala, flores que crescem no pulmão...), jazz e uma dancinha esquisita, mas simpática.

Além de inesquecível, o livro é uma graça! Confiram abaixo alguns quotes de que gosto bastante. Conselho amigo: quotes lidos, deem uma olhadinha na resenha e conheçam um pouquinho do filme aqui.

Colin tinha vergonha de ser tão rico.
- Escuta, Chick – disse –, quer meu dinheiro?
Alise olhou para Colin com ternura. Ele era tão gentil que dava para ver os pensamentos azuis e violeta fervilhando nas veias de suas mãos.

- Em todo caso, é idiota fazer um trabalho que máquinas poderiam fazer.
[...]
- É preciso saber – disse Colin – quem impede que as máquinas sejam fabricadas. Deve faltar é tempo. As pessoas perdem tempo vivendo, então não sobra para trabalhar.
- Não seria o contrário? – disse Chloé.
- Não – disse Colin. – Se tivesse tempo de construir as máquinas, depois não precisariam fazer mais nada. Quero dizer que elas trabalham para viver em vez de trabalhar para construir máquinas que os fariam viver sem trabalhar.
[...]
- Mas é culpa deles se acham que trabalhar é bom?
- Não – disse Colin. – Não é culpa deles. É porque disseram para eles: “O trabalho é sagrado, é bom, é bonito, é o que conta antes de tudo, e só os trabalhadores têm direito a tudo”. Só que dá-se um jeito de fazê-los trabalhar o tempo todo, e então eles não podem aproveitar.
- Mas então eles são burros? – disse Chloé.
- É, são burros – disse Colin. – É por isso que concordam com aqueles que lhes fazem acreditar que o trabalho é o que há de melhor. Isso evita que eles reflitam e que busquem progredir e parar de trabalhar.

No lugar onde os rios se lançam ao mar forma-se uma barreira difícil de transpor, e grandes redemoinhos de espuma nos quais dançam destroços de navios. Entre a noite do lado de fora e a luz da arandela, as lembranças refluíam da escuridão, se chocavam com a claridade e, ora submersas, ora aparentes, mostravam seus ventres brancos e seus dorsos prateados.

- Hoje à noite você vai ver o doutor, finalmente vamos saber o que você tem. Por enquanto, é preciso tomar os comprimidos. Depois, quem sabe ele te dá outra coisa...
- É horrível – disse Chloé.
- É preciso ser sensata.
- É como se dois bichos brigassem no meu peito quando tomo um. E, além disso, não é verdade... Não é preciso ser sensata...
- É melhor não, mas, às vezes, é preciso – disse Colin.

A Espuma dos Dias, de Boris Vian


Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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2 COMENTÁRIOS

  1. Oie
    Esse livro parece ser fofo, doce, meigo e com palavras carregadas hahaha amei!
    Parabéns pela resenha,

    www.estantedorefugio.blogspot.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim, esse livro é fofo! Mas também convida a refletir, tem um significado. Enfim, gosto muito e recomendo demais. <3 Beijos!

      Excluir

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