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Carnaval regado a Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles

Carnaval 8 de fevereiro de 2013 Aline T.K.M. 7 COMENTÁRIOS

Carnaval é festa, certo? Certo. Mas é verdade que não a mesma festa para todo mundo.

Para os bookaholics foliões de plantão, entre uma bagunça e outra, sempre dá para ler alguma coisinha. Para os bookaholics nem tão foliões assim, como eu, e que também não vão viajar, sempre dá para ler muita coisa. E, entre as pausas da leitura, um conto ou narrativa breve são sempre bem-vindos.

Para não renegar completamente o Carnaval, minha sugestão para o feriado se trata de dois contos “carnavalescos”. Não entendam por carnavalesco algo repleto de humor e descompromisso, nesses contos o clima é outro. Bem, vejam vocês mesmos:


Livro: ANTES DO BAILE VERDE, de Lygia Fagundes Telles, Cia. das Letras.

Sobre o conto “Antes do Baile Verde”:
Tatisa se prepara para o grande baile a fantasia em que a vestimenta na cor verde é obrigatória. No quarto ao lado, seu pai doente agoniza, e não lhe resta mais muito tempo de vida. O egoísmo e indiferença da jovem ao priorizar o Baile Verde em detrimento de seu pai, inventa maneiras de justificar-se perante si própria e escapar da responsabilidade de cuidar do pai. Tatisa transfere a responsabilidade, e mesmo a culpa, para o médico e para a empregada – que também não quer perder o carnaval por nada –, permanecendo ela mesma alheia à situação.

Sinopse do livro:
Reunindo narrativas escritas entre 1949 e 1969, é considerado por muitos críticos o livro de contos literariamente mais bem-sucedido de Lygia Fagundes Telles. As situações narradas são as mais diversas. Em "A caçada", um homem fica a tal ponto intrigado com uma velha tapeçaria encontrada num antiquário que acaba por mergulhar na cena retratada na peça, como se tivesse participado dela numa outra vida ou numa outra dimensão. Já no macabro "Venha ver o Pôr-do-Sol", um rapaz leva sua ex-namorada a um jazigo de família abandonado. Conflitos amorosos também são tema de "Apenas um Saxofone", "Um Chá bem Forte e Três Xícaras", "O Jardim Selvagem" e "As Pérolas". Mas o enfoque é sempre diverso e surpreendente. Em "O Menino", por exemplo, uma infidelidade conjugal é observada de modo oblíquo, pelos olhos de um garoto que vai ao cinema com a mãe. Mas o escopo humano e literário de Lygia não se restringe aos dramas de casais. "Natal na Barca" é uma pequena parábola, com final epifânico. "Meia-noite em Ponto em Xangai" é o balanço que uma prima-dona da ópera faz de sua vida solitária e vazia. Em "O Moço do Saxofone" um motorista de caminhão hesita em ir para a cama com uma mulher casada numa pensão de beira de estrada. Em "A Janela", um louco visita um bordel dizendo que é a casa onde seu filho morreu.
Com sua prosa segura e elegante, alternando com desenvoltura gêneros e vozes narrativas, a autora expõe aqui no mais alto grau sua capacidade de seduzir e emocionar o leitor.


Livro: FELICIDADE CLANDESTINA, de Clarice Lispector, Rocco.

Sobre o conto “Restos do Carnaval”:
A escritora adulta relembra um momento de sua infância em Recife, no Carnaval. A menina pequena vive o conflito do contraste entre a alegria da festa nas ruas e a tragédia familiar – a doença da mãe, que viria a falecer, piorava naquele momento. A menina ficava até tarde da noite ao pé da escada do sobrado onde vivia, olhando os outros se divertirem, olhando a festa alheia.

Sinopse do livro: A linguagem intimista de Clarice está bem presente nesta reunião de 25 contos da autora. Angústias, infância, adolescência e família são temas aqui retratados, além da dificuldade de se relacionar. A profundidade dos personagens se sobrepõe às descrições, parecendo tanto ou até mais importantes que o próprio enredo. O conto que deu nome ao livro, “Felicidade Clandestina”, é narrado em primeira pessoa e mostra que o prazer da leitura é solitário e, quando difícil de ser conquistado, torna-se ainda maior. O conto narra a crueldade da filha do dono de uma livraria que se recusa a emprestar 'As Reinações de Narizinho', de Monteiro Lobato, até que a intervenção da mãe da menina permite à narradora deliciar-se, vagarosamente, com a posse do livro. A história, como outras do livro, acontece no Recife, onde a autora passou sua infância.


Os dois contos podem ser lidos no site da revista Veja:
Antes do Baile Verde
Restos do Carnaval


Para os que acharam pouco, é tentadora a ideia de comprar os livros e passar este Carnaval refugiado numa poltrona de café, saboreando cada uma das narrativas. Mas sou suspeita para falar porque, a bem da verdade, tenho muito mais de esquentadora de poltrona de café – meu cartão fidelidade está quase completo – do que de foliona.

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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7 COMENTÁRIOS

  1. Aline, também não sou uma frequentadora assídua de folias. Tanto que, neste Carnaval, não apenas passarei um bom tempo lendo em casa, por vontade própria, como terei que me dedicar ao meu projeto final de Inglês. A semana será longa! hahah
    Mas apreciei bastante a sua postagem de dicas de leitura para a ocasião festiva. O que rolou comigo, no entanto, foi um antagonismo entre as duas autoras. De um lado, sou apaixonada pela obra de Lygia Fagundes Telles ("Antes do Baile Verde", para mim, é sua melhor antologia), do outro, todavia, ainda não me sinto preparada para acolher o estilo intimista de Clarice. Ou de compreendê-la deveras.
    Tem para todos os gostos, claro, porque Carnaval também é tido como a festa do povo democrático! :p
    Beijos e bom feriado!

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    Respostas
    1. Oie, da Lygia Fagundes só li alguns dos contos desta antologia, e da Clarice li contos aleatórios e A Hora da Estrela. Concordo que o estilo dela é bastante peculiar. Eu, particularmente, gosto bastante, mas tenho meus momentos para ler Clarice (não funciona comigo o tempo todo). Há uns anos comecei a ler Água Viva e abandonei logo no início. Não estava achando ruim, apenas não estava no clima de ler aquele livro naquele momento.
      Um beijão e bom restinho de Carnaval!

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  2. Mesmo morando em Salvador, não gosto de sair e comemorar o Carnaval. Bom mesmo é ficar em casa, lendo um bom livro ou bom filme.
    Ah, adoro a Clarice Lispector e adorei as suas recomendações.

    Beijos,
    Bibliotecando com a Cris

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    Respostas
    1. Oi Cris! Por um lado é até engraçado o que você falou, tem tanta gente louca para passar o Carnaval aí em Salvador, e você prefere ficar em casa hehehe. Eu também não sou fã do Carnaval, p/ dizer a verdade. Gosto daquela coisa nostálgica, dos bailes de interior, marchinhas antigas, acho que nem fazem mais isso hehe. Mas ver um bom filme e ler são atividades imperdíveis, seja Carnaval ou não. =)
      Beijinho.

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  3. Oi Aline :)

    Obrigada pela visitinha no meu blog *-*
    Acredita que nunca li NADA das duas autoras?!
    Pois é, vergonha... e são duas autoras geniais (segundo dizem).
    Quero mto ler, mas as vezes nao me sinto pronto para o tipo de escrita delas.. me sinto ignorante hahaha

    Beeeijao

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    Respostas
    1. Oi Rapha, como mencionei em resposta ao comentário da Ana, tenho meus momentos para ler autoras como Clarice (e aí entra também Virginia Woolf). Mas aí também depende do gosto do leitor. De todas as formas, dá uma lidinha nos contos que mencionei no post (coloquei o link deles publicados na íntegra num blog do site da Veja).
      Além disso, recomendo muito A Hora da Estrela, da Clarice. Provavelmente você deve conhecer a história por já ter ouvido algum professor falar dela, mas o livro é incrível, eu gostei muito.
      Um beijão!

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  4. Oi Aline :)
    Também não curto Carnaval não, prefiro o sossego da minha casa, meus livros e meus filminhos e séries!
    Já li A Hora da Estrela e gostei muito, a escrita da Clarice é bem distinta mesmo, mas é bem gostosa! Já da Lygia nunca li nada, mas parece ser bem interessante seus contos! Ótima dica para quem adora curtir um bom livro nesse período de festas :)
    Obrigada pela visita e comentário :)
    Tem post novo no blog!
    Beijos, Nathi
    @bookswonderland
    Books in Wonderland

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