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Em cartaz: Belém: Zona de Conflito

Conflito árabe-israelense 2 de abril de 2014 Aline T.K.M. 4 COMENTÁRIOS


Ao abordar a confiança na relação complicada entre um adolescente palestino e um agente do serviço secreto israelense, Belém: Zona de Conflito não é um filme “fácil”, por assim dizer.

Sanfur (Shadi Mar'i) leva uma vida dupla. O adolescente palestino é informante do serviço secreto israelense desde os 15 anos. Ele e Razi (Tsahi Halevi), o agente que o recrutou, mantêm há dois anos uma relação de confiança e amizade. O jovem fica dividido ao tentar manter a lealdade ao irmão – um militante palestino – e à família enquanto cumpre as demandas vindas de Razi. A relação entre agente e informante fica ainda mais complicada com a ocorrência de um atentado suicida em Jerusalém, e quando vem à tona o envolvimento de Sanfur nas atividades palestinas. O filme foi coescrito pelo jornalista Ali Wakad com base em suas experiências como correspondente na Cisjordânia.

“Belém: Zona de Conflito”: relação delicada entre jovem informante palestino e agente do serviço secreto israelense

Se Belém: Zona de Conflito fosse um quadro, diríamos ter sido pintado em apenas duas cores, completamente opostas entre si. De um lado, a figura do oficial do serviço secreto israelense derrama cuidados quase paternais, não hesitando em arriscar a própria vida em função de seu jovem informante palestino. O retrato de bom moço é complementado com a presença de uma mulher e duas crianças, pois Razi é, antes de tudo, um pai de família.

Na outra extremidade, nos é apresentado o adolescente Sanfur, cuja inocência foi há muito manchada pela violenta situação de seu ambiente. O garoto sofre e se vê envolto em dilemas; apesar do afeto que tem por Razi, sentimentos como o medo e o desejo de vingança disputam lugar na escolha de seus atos.

Quase como um conto infantil, em que a fronteira entre o bem e o mal é fortemente delimitada, o filme ainda tenta – até com certo sucesso, às vezes – colocar perante o espectador quão complexa é essa relação entre Razi e Sanfur, pontuada por conflitos morais e de ordem afetiva. Contudo, é impossível deixar de pensar nas figuras arcaicas de mocinho e bandido, rasas e repletas de inverdades e nuances ocultas.

Se agrada nas passagens de ação e violência, Belém: Zona de Conflito perde na falta de profundidade em relação ao conflito Israel-Palestina. Como mencionado inicialmente, o filme não é fácil, tanto pelos intermináveis 99 minutos na poltrona do cinema quanto por empurrar goela abaixo a imagem de Israel como sendo o mocinho absoluto da história.




NOTA: 5/10
ESTREIA: 03/04

Belém: Zona de Conflito (Bethlehem) – 99 min.
Israel / Alemanha / Bélgica – 2013
Direção: Yuval Adler
Roteiro: Yuval Adler, Ali Wakad
Elenco: Tsahi Halevi, Shadi Mar'i, George Iskander, Hitham Omari, Yossi Eini, Michal Shtamler, Tarik Kopty

Aline T.K.M.
Criou o Livro Lab há 7 anos e blogar é uma das coisas que mais ama fazer, além do teatro, da dança e dos mais variados tipos de expressões artísticas. Tem paixão por viajar e conhecer outras culturas. Ah, e ama ler em francês!

 

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4 COMENTÁRIOS

  1. Oi Aline!
    Não conhecia esse filme e como você disse, não deve ser um filme fácil, apesar de parecer ser bem interessante.

    Beijos,
    http://www.epilogosefinais.com/

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    Respostas
    1. A princípio, sim, me pareceu interessante. Mas no geral não foi um filme que eu gostei, achei bem regularzinho, viu...

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  2. Oie, Aline.
    Não curto muito ação e violência, sou mais do romance. Mas muito interessante a trama do filme, sei que vai ter um bom publico. Obrigado pela indicação, avisarei meu irmão que curte.

    Paradise Books

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    Respostas
    1. Não é que eu não goste de ação/violência, mas acho que a história, a trama, não pode sair prejudicada por causa da quantidade de cenas de ação. Não curti o filme, mas é bem possível que os fãs de ação gostem.

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